sexta-feira, setembro 30, 2005

Acordas às três da tarde

a camisa de dormir em desalinho, o cabelo em maior desalinho ainda. O peso de todos os fantasmas que carregas torna-se um fardo impossível de carregar sobre os teus ombros. Nem avisas-te no trabalho que não ias. Fumas, mas longe da janela fechada porque o barulho de um mundo que continua normalmente te é insopurtável.

Hoje precisavas de um milagre, aquele milagre específico, cabeça e alma atormentadas na expectativa de algo que não vai acontecer. Se pudesses gritavas mas hoje ainda não ouviste o som da tua voz e suspeitas que não vais ouvir.

Hoje vagueias de parede em parede, encostada a cantos da casa, olhando o bolor e a humidade que com os anos se foi enttranhando nos cantos do tecto. Os anos que aqui viveste, e recordas quase todos os momentos. Os anos em que a casa não era habitada pelo teu corpo, hoje tão frágil, e cujos sons e conversas ainda se passeiam como ecos inaudíveis por aí.

Hoje dói-te tudo o que foste mas dói-te especialmente tudo o que não és.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Acordar

às 9h da manhã porque o pai entrou no quarto a chamar por nós. Ressaca, tentar abrir os olhos, "o que foi, pai?"
"a que horas vieram para casa ontem?"
"As 7h... acho."
"E o que é que está a fazer um sinal das obras no nosso quintal?"
"Hum? Um quê?"
"Um sinal das obras. Do teu tamanho. No nosso quintal. O que é que está aqui a fazer?"
"Não sei pai... é são Mateus."

segunda-feira, setembro 19, 2005

Direitos humanos ou apenas luta pela sobrevivência?

Pareceu-me controverso ao ler pela primeira vez, mas depois compreendi que afinal não é assim tanto.
Timothy Ash um historiador britânico, baseando-se numa teoria elaborada por Jack London, vem defender que os homens em vez de enveredarem num caminho constante de evolução e conforme o tempo passar tornarem-se cada vez sociáveis e empreededores no que diz respeito à própria definição de ser humano vão pelo contrário voltar ao seu estado primário de evolução, ou seja, transformarem-se em macacos.
Vá, acompanhem o meu raciocinio e o deste senhor, cada vez que se dá uma catástrofe, guerra, ou cada vez que o homem se depara com o desespero as suas reacções tornam-no agressivo e revolucionário, e para argumentar e justificar o que estou a dizer existem inúmero exemplos. Ora vejam, com o furacão Katrina. O que veio depois da catástrofe? Pilhagem, lutas entre gangs, racismo, xenofobia, desespero, onde ficaram então as tão afamadas virtudes do Homem?
Surgiu-me esta ideia depois de ler um artigo de opinião de Graça Franco, colaboradora do Público, a qual sugeriu esta nova abordagem, que para ser sincera me pareceu justa.
Não teria então Nietzsche razão? "Cada um de nós é feito de verdade e ilusão, e a arte é essa forma luminosa de ilusão que nos permite resistir à realidade".
O que resulta numa conclusão bastante simples, o que fica depois da ilusão? O desespero e a luta pela sobrevivência?

quinta-feira, setembro 15, 2005

Cães e Flores

Da última vez que fiz anos ofereceram-me uma flor. Ela por lá está, vai-se aguentando. Inclusivamente durante as férias, quando tive um mês sem ir a casa, ela aguentou-se. Bonita bonita bonita não está, mas está vivinha da silva. Aqui há uns dias atrás, baseada na bela da sabedoria popular, pus-me à conversa com ela. A sério, eu tentei, mas foi um desastre.

"Então, tudo bem? Por aqui não? Pois, fui eu que te pus ai. Pois, atão tinhas que tar aí..." (Por esta altura comecei a pensar se estaria a tocar num ponto fraco ou a falar de um assunto que ela pode não gostar. Afinal, estar assim preso, não deve ser fácil).

Pensei em falar da novela mas ela está na cozinha e a tv na sala. Pensei em falar de política mas a julgar pelo estado das coisas, aí morria-me mesmo. Pensei pensei pensei e nada. Sabem quando estamos ao pé de alguém, temos que fazer conversa e não sai nada? Péssimo. E foi assim que me senti. Claro que a conversa foi parar àquele assunto: "Mas vá lá que tem estado quentinho, aí há uns dias é que teve acinzentado. Estes dias que não são nem carne nem peixe são horríveis... nem carne nem peixe.. nem vegetais! Bom, tu percebeste né? E aposto que sei que tu também gostas mais dos dias de sol, né?"

E foi quando olhei para baixo e vi a minha porteira a olhar para mim da janela. Poizé...

Com os cães a cena não acontece, tipo, às vezes é até difícil parar de falar com eles. E sim, as pessoas ficam mesmo estúpidas quando falam com os cães. Até eu.... "Oh meu bébé gordo, bilubilubilu, tadinho do meu zinho, sem tomatinhos... mas é muita viril, não é gordo? Oh ninhozico soquinho tadinho.... oh bilululu, é o meu ladrão, o meu ladrão, não é bébé? sempre a ladrar, ladra muito muito muito..." e por aí fora. Rídiculo.

Quando voltar para Lx vou tentar em vez de um diálogo, um triálogo.

"Nogui, esta é a flor. Flor, este é o Nogui".

segunda-feira, setembro 12, 2005

Igualdade - o maior engano do nosso seculo e dos anteriores

Não percebo como é que as pessoas não se mancam que igualdade não existe, simplesmente isto, não existe. Não sei como as pessoas não se dão conta que andamos a tentar forçar mais uma invenção humana. No mundo natural não caem dois flocos de neve iguais (Segundo dizem os especialistas), não há duas caras iguais - incluindo os gémeos e não me venham com tretas; simplesmente não há duas coisas iguais excepto talvez as das fábricas de produção em série, produtos artificiais e que mesmo assim saem frequentemente com pequenas diferenças.

A sério. Aborrece-me isto. Tratar as pessoas com respeito sim, mas conscientes que somos diferentes e precisamente valorizar a diferença... porque é na variedade que está o conhecimento. Igualdade é treta, já se me falarem de complementaridade...

Tratar as pessoas como iguais, isso significa o quê? Não pode simplesmente ser com respeito? Sim, com o mesmo ou mais respeito que cada um tem por si próprio... A minha concepção católica e mesmo humanista não passa pela igualdade porque não tem que passar.

Diferentes sim, literalmente "Graças a Deus". Portanto temos é que "agradecer" as diferenças e conseguir que elas tenham um efeito positivo. Simples... sem tretas de igualdade. Bah. Igualdade nem sequer é utopia, é distopia mesmo!

Ah, e por favor, não me venham com tretas que isto é conversa de menininha mimada com vontade de ser diferente... não é. Se há um campo em que a grande maioria de nós é realmente parecida (uns mais do que outros) é na insignificancia.


É este o meu conselho para hoje.


o que somos



Uma loja de taparueres mas com toda a espécie de coisas incluídas. Na pratica, a importação das lojas dos chineses para o mundo virtual. E garanto, em qualquer loja dos chineses é possivel encontrar DE TUDO!


sexta-feira, setembro 02, 2005

Saga dos puns, parte II

Melhor do que dar puns em frente a alguém amigo é conseguir dar puns e arrotar ao mesmo tempo. Eu tenho uma amiga que consegue fazer isto... ooh yeaaahh... (invejem-me!!)

quinta-feira, setembro 01, 2005

Já são 3h30?

1001 razões para nos dedicar à agricultura:

Ele: Não sabes? A beterraba rende imenso, é uma das produções que rende mais em portugal!

Ela: Talvez, mas eu sempre pensei que a fruta é que estava a dar.

Ele: Não, nada disso! A vinha, experimenta plantar vinhas, vais ganhar uma "batulada" de dinheiro.

Ela:Epá, mas isso vai demorar imenso, preciso de conseguir um investimento que me renda algum dinheiro muito em breve.

Ele: Hum, já experimentaste vender droga?

Ela: hum hum...

Ele:Contrabando? Vender telemóveis?

Ela: hum hum

Ele: Chula?

Ela: hum...talvez resultasse...

Ele: Experimenta rapazinhos novos.

Ela: Isso ia dar algum tempo na prisão não achas?

Ele: Experimenta vender lápis de cera na feira.

Ela: Desculpa?

Ele: Resultou com a minha irmã.

Passado duas horas... E depois de 7 cervejas:

Ele: Não sabes? A beterraba rende imenso, é uma das produções que rende mais em portugal!

Ela: Talvez mas eu sempre pensei que a fruta é que tava a dar...

São tão boas as férias de verão, ah essas tardes.... ;)

dois apontamentos para o hoje:

Primeiro: uma pessoa sabe que está mentalmente afectada quando sonha que está a levar com bolas de gelado nas fuças e uma músiquinha tétrica está a tocar por trás;

Segundo: Desconfio que as almofadas cervicais são o maior engano do século XXI.

Tenho dito.