Já fomos, já deixamos de ser, talvez estejamos de volta. Poderá ser o regresso do mito. O mito que nunca o foi.
sexta-feira, setembro 30, 2005
Acordas às três da tarde
Hoje precisavas de um milagre, aquele milagre específico, cabeça e alma atormentadas na expectativa de algo que não vai acontecer. Se pudesses gritavas mas hoje ainda não ouviste o som da tua voz e suspeitas que não vais ouvir.
Hoje vagueias de parede em parede, encostada a cantos da casa, olhando o bolor e a humidade que com os anos se foi enttranhando nos cantos do tecto. Os anos que aqui viveste, e recordas quase todos os momentos. Os anos em que a casa não era habitada pelo teu corpo, hoje tão frágil, e cujos sons e conversas ainda se passeiam como ecos inaudíveis por aí.
Hoje dói-te tudo o que foste mas dói-te especialmente tudo o que não és.
sexta-feira, setembro 23, 2005
Acordar
"a que horas vieram para casa ontem?"
"As 7h... acho."
"E o que é que está a fazer um sinal das obras no nosso quintal?"
"Hum? Um quê?"
"Um sinal das obras. Do teu tamanho. No nosso quintal. O que é que está aqui a fazer?"
"Não sei pai... é são Mateus."
segunda-feira, setembro 19, 2005
Direitos humanos ou apenas luta pela sobrevivência?
quinta-feira, setembro 15, 2005
Cães e Flores
"Então, tudo bem? Por aqui não? Pois, fui eu que te pus ai. Pois, atão tinhas que tar aí..." (Por esta altura comecei a pensar se estaria a tocar num ponto fraco ou a falar de um assunto que ela pode não gostar. Afinal, estar assim preso, não deve ser fácil).
Pensei em falar da novela mas ela está na cozinha e a tv na sala. Pensei em falar de política mas a julgar pelo estado das coisas, aí morria-me mesmo. Pensei pensei pensei e nada. Sabem quando estamos ao pé de alguém, temos que fazer conversa e não sai nada? Péssimo. E foi assim que me senti. Claro que a conversa foi parar àquele assunto: "Mas vá lá que tem estado quentinho, aí há uns dias é que teve acinzentado. Estes dias que não são nem carne nem peixe são horríveis... nem carne nem peixe.. nem vegetais! Bom, tu percebeste né? E aposto que sei que tu também gostas mais dos dias de sol, né?"
E foi quando olhei para baixo e vi a minha porteira a olhar para mim da janela. Poizé...
Com os cães a cena não acontece, tipo, às vezes é até difícil parar de falar com eles. E sim, as pessoas ficam mesmo estúpidas quando falam com os cães. Até eu.... "Oh meu bébé gordo, bilubilubilu, tadinho do meu zinho, sem tomatinhos... mas é muita viril, não é gordo? Oh ninhozico soquinho tadinho.... oh bilululu, é o meu ladrão, o meu ladrão, não é bébé? sempre a ladrar, ladra muito muito muito..." e por aí fora. Rídiculo.
Quando voltar para Lx vou tentar em vez de um diálogo, um triálogo.
"Nogui, esta é a flor. Flor, este é o Nogui".
segunda-feira, setembro 12, 2005
Igualdade - o maior engano do nosso seculo e dos anteriores
A sério. Aborrece-me isto. Tratar as pessoas com respeito sim, mas conscientes que somos diferentes e precisamente valorizar a diferença... porque é na variedade que está o conhecimento. Igualdade é treta, já se me falarem de complementaridade...
Tratar as pessoas como iguais, isso significa o quê? Não pode simplesmente ser com respeito? Sim, com o mesmo ou mais respeito que cada um tem por si próprio... A minha concepção católica e mesmo humanista não passa pela igualdade porque não tem que passar.
Diferentes sim, literalmente "Graças a Deus". Portanto temos é que "agradecer" as diferenças e conseguir que elas tenham um efeito positivo. Simples... sem tretas de igualdade. Bah. Igualdade nem sequer é utopia, é distopia mesmo!
Ah, e por favor, não me venham com tretas que isto é conversa de menininha mimada com vontade de ser diferente... não é. Se há um campo em que a grande maioria de nós é realmente parecida (uns mais do que outros) é na insignificancia.
o que somos
Uma loja de taparueres mas com toda a espécie de coisas incluídas. Na pratica, a importação das lojas dos chineses para o mundo virtual. E garanto, em qualquer loja dos chineses é possivel encontrar DE TUDO! | ||
sexta-feira, setembro 02, 2005
Saga dos puns, parte II
quinta-feira, setembro 01, 2005
Já são 3h30?
1001 razões para nos dedicar à agricultura:
Ele: Não sabes? A beterraba rende imenso, é uma das produções que rende mais em portugal!
Ela: Talvez, mas eu sempre pensei que a fruta é que estava a dar.
Ele: Não, nada disso! A vinha, experimenta plantar vinhas, vais ganhar uma "batulada" de dinheiro.
Ela:Epá, mas isso vai demorar imenso, preciso de conseguir um investimento que me renda algum dinheiro muito em breve.
Ele: Hum, já experimentaste vender droga?
Ela: hum hum...
Ele:Contrabando? Vender telemóveis?
Ela: hum hum
Ele: Chula?
Ela: hum...talvez resultasse...
Ele: Experimenta rapazinhos novos.
Ela: Isso ia dar algum tempo na prisão não achas?
Ele: Experimenta vender lápis de cera na feira.
Ela: Desculpa?
Ele: Resultou com a minha irmã.
Passado duas horas... E depois de 7 cervejas:
Ele: Não sabes? A beterraba rende imenso, é uma das produções que rende mais em portugal!
Ela: Talvez mas eu sempre pensei que a fruta é que tava a dar...
São tão boas as férias de verão, ah essas tardes.... ;)
dois apontamentos para o hoje:
Segundo: Desconfio que as almofadas cervicais são o maior engano do século XXI.
Tenho dito.
terça-feira, agosto 30, 2005
Pergunta do dia:
É porque eu não me lembro de ter provado a minha antes de ter ficado com ela. Bolas. "Provador de vidas - É proibido levar mais do que 3 vidas de cada vez para o provador".
segunda-feira, agosto 29, 2005
Este é o meu novo vício
sexta-feira, agosto 26, 2005
Segunda tentativa:
Olhava em frente, fixa num qualquer ponto indeterminado. Cliché, não, não é isto que quero. Mas é mais facil assim, esperem só um bocadinho.
(respiro fundo)
A cabeça inclinada sobre um guardanapo de papel onde escrevia fervorosamente. (Fervorosamente... existe? É assim? Palavra feia). A imperial à sua frente ia morrendo, lentamente. A caneta seguia o seu caminho, determinada (gosto!) num papel demasiado fininho para o fervor. Fininho e pequeno, acabou-se. Dobrou-o em quatro depois de ter posto a tampa na caneta e meteu-o no bolso. Agarrou a imperial mas não lhe sentiu o fresco e olhou longamente em volta. A esplanada cheia, entardeceres de verão. (Está a melhorar, mas agora estou a fugir do assunto que me interessa. argh.)
As pessoas em seu redor, estava demasiado longe das suas gentes para ter ali alguém conhecido. E no entanto os rostos não lhe eram estranhos, as vestes, os estilos. Os gestos. As pessoas, na procura da unicidade individual (sim, gosto de redundâncias) será que nos damos conta de que somos mesmo todos iguais? Quer dizer, uma esplanada num entardecer de verão tem rostos parecidos em vestes iguais com gestos repetidos. (Ok, não era por aqui que eu queria ir, não era nada disto que eu queria dizer. Ainda se dá a volta, esperem lá).
De facto as pessoas agarram-se às convicções que criam e mais nada. O papel ficou guardado, duas frases que ressoam: "Em matéria religiosa, não acredita quem quer, acredita quem pode"; "Cria uma reputação confortável e mantém-te nela".
Há coisas que fazem tanto sentido que de repente não fazem sentido nenhum. São daquelas coisas que se acredita mas de que se duvida. Por vontade de duvidar, por necessidade de acreditar.
Pede a conta e paga, a mala ao ombro e a chave do carro na mão. É hora de mudar de poiso, mudar de esplanada. Para outra qualquer igual a esta.
(Não era bem isto não... paciência!)
quarta-feira, agosto 24, 2005
ola ola
bom, assim que acertar contas com ele lembrem-me de vos falar de: gambozinos, algarve, retretes, puns (nova saga) e era mais outra coisa que agora num ma lembra.
vou ali à porta do lado, volto quando tiver a quesília resolvida (ou resolta??? hum...)
terça-feira, agosto 16, 2005
Está alguém desse lado do Taparuere?
Mas será que foi tudo férias??!!Nem a organizadora dessas belas matinés com direito a cházinho e conversas de bebés e maridos enquanto se vendem e compram caixinhas de plástico estrangeiradas diz nada?
Ok, talvez porque a descrição não se adapte à nossa Taparuere, que a esta hora deve andar a banhos lá pelos Algarves acompanhada dos amigos do costume:
Deixem-se lá de figuras tristes em frente ao computador, que ainda alguém vos vê assim!!
Uma pessoa já não pode brincar!! O que nós queremos mesmo são comentários, por isso toca a contar como estão a correr essas férias!
quarta-feira, agosto 03, 2005
Ah e tal...odeio o mês de Agosto lol
Quem somos.
"Ainda agora puseste gasolina e já 'tá outra vez na reserva!"
"Pois tá, mas agora tá menos na reserva do que o que tava à bocado".
Toca uma música, mistura de sons clássicos com rock. "Gosto deste tipo de música, esta misturada que não se sabe bem definir".
Passamos por um placard na estrada, anúncio a qualquer coisa... "Adapta-te a ti mesmo".
É isto que somos minha gente, remediados à tangente, misturas por definir, únicos massificadamente ou uma massa unificada.
segunda-feira, agosto 01, 2005
Filosofia ou teoria dos puns.
As bufas, porque são dadas à traição, não nos interessam para o caso. O expelidor desta ventosidade pode passar facilmente incólume. Assim, sem assumir as suas consequências, este acto não tem a dignidade dos sonoros puns. São estes os que nos interessam.
Tenho cá para mim uma teoria definida de que, quando há amizade real e forte entre duas pessoas, esta amizade é demostrada através dos puns. Ninguém dá puns sonoros ao pé de quem não conhece bem, ao pé de quem não confia ou ao pé de quem não gosta. Mas suponho que há muita gente que, à minha semelhança, se está com um grupo de amigos chegados e lá aparece aquela vontade, avisa "pessoal, ai vem a minha demonstração de carinho e amizade!" Puufff.
A sério, acredito que para os mais sensíveis e nojentinhos isto possa soar um bocadinho estranho... Mas pensem um pouco sobre o assunto. O sítio oficialmente definido para expelir as ventosidades anais é a casa-de-banho. Tudo bem, ninguém diz que não. Mas... e as casas de banho públicas? Quem, de perfeito juízo e perfeitas condições musculares anais, tem àvontade suficiente para expelir uma ventosidade sonora numa casa de banho pública sabendo que há gente desconhecida no mesmo espaço e que estas casas de banho não são de todo isolantes de som? Pois é. Mas está-se no sítio certo. Mas tem-se gente desconhecida à volta que rapidamente se dá conta do sucedido.
Assim, os puns são algo que só se partilha com as pessoas com quem mais temos confiança. Acima de tudo é uma questão de confiança. De cumplicidade mútua. Da próxima vez que alguém der um pum ao pé de vocês, alegrem-se porque a partir desse dia está provada a vossa intimidade, confiança, amizade e verdadeiro carinho. E as duas partes sabem-no.
sábado, julho 30, 2005
Baboseiras ou demasiado tempo livre para pensar em coisas estranhas.
Ora pois, a minha convicção, aquela ali de cima, da primeira frase e que por grandes artes de suspense e mistério ficou em stand-by graças à magnifitude da minha escrita (*cof cof*), a minha convicção, dizia eu, é que há um pequeno pormenor que nos transformou em capitalistas, a nós humanidade. E esse pormenor, just a detail, é o facto de o mar ser salgado. Se o mar fosse "ensonso", isto é, se toda a água do mundo não tivesse sal, haveria um mundo próspero, rico e fértil para todos os seres vivos. Dessalinizar a água é um processo que sai caro e, se não fosse isso, todas as terras poderiam ser mais ou menos férteis, claro está, variando as culturas nelas implementadas, mas não haveria fome no mundo.
Esta é uma daquelas convicções a que se chega numa noite de bebedeira e tal. Ora, noutra noite de bebedeira e tal foi engraçado. Ora note-se, toda a gente sabe que a camada de Ozono está a ser destruída, o clima está a mudar a pouco e pouco e essas coisas todas. "Aquecimento global" é a expressão de ordem. Grandes blocos de gelo a derreter e a aumentar o nível de águas dos oceanos. Há primeira vista isto é devastador e essas coisas todas... E talvez se venha mesmo a dar um desastre climatérico enorme, algum tempo com monstruosas tempestades, gelo por todo o lado, o mundo transfigurado numa segunda era do gelo. Como quando os dinossauros se extinguiram.
Agora imaginem que, o gelo derrete mesmo, junta-se com a água salgada e a salinização existente reduz-se drásticamente. Ficava o pormenor resolvido...
Quando se deu a revolução industrial foi a primeira vez na história da humanidade que teria sido possível acabar com a fome no mundo, conseguir um equilíbrio em todas as civilizações. O que aí vem pode muito bem ser a nossa segunda hipótese de conseguir um mundo perfeito. Ou pelo menos mais perfeito.
Claro que, um desastre natural destas dimensões acarrataria centenas de milhares de mortos... Mas haveria um renascer posterior onde isto poderia ser possível. Não sei, para os religiosos, talvez uma segunda arca de Noé aportando a hipótese de um paraíso no mundo.


