quarta-feira, dezembro 14, 2005

mais companhia alentejana

na blogosfera! depois da família ter começado a aderir aos blogs eis senão que surge o www.virgulas-e-afins.blogspot.com. Um blog de outra elvense emigrada pós lados de Lisboa e que tem um cão (que se atreve a pensar que poderá ser mais bonito que o meu). Ide lá ide. (E de caminho procuram-se opiniões sobre as belezas dos animais.)

Para não ficar em desvantagem relembro que o meu bichinho querido também tem ele próprio um blog em www.vidadcao.blogspot.com onde podem apreciar todo o seu encanto, carinho, ar mimoso e meigo e inescutível poesia estéctica.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Ontem fui ao Ikea, por causa

das remodelações lá em casa. Pus-me cá a pensar, como é que o Ikea consegue ter coisas tão baratas? Quer dizer, um jantar no Ikea sai mais barato que o MacDonalds... hum... Bom, segundo eles conseguem reduzir os preços porque: 1) não fazem entregas, 2) não fazem montagens, 3) tem pouco pessoal.

Tudo isto é vísivel, somos nós que nos servimos, que tiramos as referências, o restaurante também é self-service, somos nós que fazemos tudo. Pagamos menos, temos mais trabalho, tudo bem, é legítimo.

Segunda pergunta, porque é que precisamos de comprar coisas mais baratas? Porque o desemprego é altíssimo, porque as pessoas novas demoram imenso tempo para conseguir arranjar um emprego e quando conseguem é, na maioria das vezes, provisório. E já se sabe que o Ikea é em grande parte para esta gente desempregada ou simplesmente mal-empregada.

Portanto, eles não empregam pessoas para que as pessoas desempregadas possam comprar barato. Sou só eu a ver a ironia e o ciclo vicioso da coisa??

domingo, dezembro 04, 2005

A Saga dos Senhorinhos de Verde

Não, os “Senhorinhos de Verde” não são alienígenas, para quem estiver a pensar que podem ser. Nopes. Os “Senhorinhos de Verde” são piores que alienígenas. Eles não nos raptam para fazer experiências sexuais mas raptam a nossa identificação para a escreverem em papéis patrocinados pela marca de pílulas “Yasmin” que é quase a mesma coisa.
Não, eles não falam uma língua estranha com ziiiinns e zaaaas e afins, falam português fluente e normal mas normalmente preferem não falar. Preferem apenas fazer-se acompanhar de um irritante, aborrecido e já alarmista barulho de tilintar de chaves. Pois é… e depois é ver as reacções, ouve-se um tilintar de chaves no bar da UCP e vê-se toda a inocente e ingénua criatura académica com olhares alarmados em volta e baixando sorrateiramente os cigarros. Em surdina há uma frase que vagueia abafada pelo fumo de nicotina: “Ele está aí? Está a olhar para aqui?” Um não dissimulado, um apenas acenar negativo de cabeça tem como efeito uma passa no cigarro. Fumo que se liberta às escondidas, tão às escondidas como o fumo o permite.

Ah, os seguranças da católica… pensar em seguranças é pensar em homens fortes e viris, de cassetete (ou como raios se escreve isto) e pistola à cinta, prestes a saltar em nossa defesa em toda e qualquer ocasião. Mas ver seguranças é ver uns tristes homenzinhos vestidos de verde, com uma barriga demasiado grande para caber dentro das calças e com bloquinhos de notas patrocinados pela pílula “Yasmin” e uma caneta para assentar o nome dos hediondos criminosos que estejam a fumar no bar. Somos nós, vis fumadores. Marginais, delinquentes, malfeitores e todos os outros sinónimos que não estejam na lista de sinónimos do Word e que eu agora não me lembro.

É giro ver, entra um espécime esverdeado no bar, os cigarros escondem-se debaixo das mesas, eles passeiam-se por ali com o tilintar de chaves como companhia. O fumo eleva-se, uma média de três a quatro fumadores por mesa, todos de cigarros escondidos, parece que o inferno se esconde no andar debaixo ao bar. E eles passeiam-se triunfantes, exibem-se, pavoneiam-se (estes são todos à minha pala, juro que não consultei o dicionário de sinónimos desta vez) enquanto o fumo se continua a elevar. De quando a quando escolhem uma vítima, pedem-lhe o número de aluno e anotam (já referi que num bloquinho a fazer propaganda às pílulas?) e provavelmente ameaçam com a entrega desse papel a uma qualquer entidade superior. Vão fazer o quê? Expulsar-nos da universidade porque estávamos a fumar no bar? E claro, enquanto se debruçam para anotar o número da pobre vítima eleita sabe Deus porque desígnio, 342 fumadores clandestinos aproveitam para dar mais uma passa e expeli-la como se fosse bafo quente em ar gélido.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Dizem que a vingança é um prato que se serve frio...

Portanto a vingança da vingança deve ser um prato gelado... Principessa, tardou, demorou mas aí tens a resposta. Desculpa lá a demora mas estava a deixar-te viver de cabeça erguida durante mais uns meses!!

;)

Já os tenho!

A minha avó deu-me dinheiro para eu comprar a minha prenda de natal. Disse-lhe que ia comprar uns ténis e que já sabia quais. Já os comprei, são estes.

Já sei como vai ser agora: Avó, já comprei os ténis. São estes, gosta?

Deixa filha, são confortáveis, não são? Isso é que importa!

terça-feira, novembro 29, 2005

jantar de fim de mês

é constituido por massa, caldo knorr e atum. E mai nada. Mesmo, mai nada. E mesmo assim é uma sorte. Para amanhã estão reservados 1,55 €. 0.50 para o café, 0.98€ para a sandocha a meio da manhã na escolinha e 0.07€ é tudo o que me sobra este mês. Amanhã não há tabaco para mim, aguardo solidariedade dos amigos fumadores, boa? ;)

segunda-feira, novembro 28, 2005

SU

Tenho saudades...é bom que saibas que te vejo 1x (se tanto) por semana, e estás constantemente longe de mim.

Saudades do teu cheiro, do teu silêncio, das tuas palavras...

É bom q voltes para mim.

sábado, novembro 26, 2005

Fim de semana que é fim de semana

é passado em casa-casa (leia-se casa habitada pelos pais), há "peixinhos da horta" para o jantar em minha honra, talvez caldo verde também. Há almoço de domingo com tios, primos, avó e picanha, há lambidelas do Nogui e da Coca, há mais lambidelas do Nogui e da Coca e também há lambidelas do Nogui e da Coca. Pior do que lambidelas é quando eu me estendo relaxada no sofá e começam dois enormes cães que nesta altura mais se assemelham a lontras a trepar semi-clandestinamente para cima de mim. Quando os dois se encontram confortáveis no sofá eu apercebo-me que tenho mais ou menos dez centímetros para ocupar... e passo para o chão. A mãe entra na sala, eu estendida no chão com uma almofada na cabeça, os dois cães que ressonam estendidos no sofá. A mãe que faz festas aos cães e tenta não me pisar. Às vezes nem reclama...

Fim de semana que é fim de semana é vir a casa, ter miminhos, comer bem e ficar com a blusa cheia de pêlos. (E se o pai der algum dinheiro extra, melhor!).

Há fins de semana em que sei que adoro a minha vida!

sábado, novembro 19, 2005

aviso aos mais distraídos:

a minha mãe, orgulho do meu coração, está de volta à blogosfera em grande estilo. Num blog com músicas variadas, desde a Madonna a brasileiradas a soft rock, podem lê-la em www.terradesol.blogspot.com.

Há mais um elemento familiar nas andanças virtuais, podem conhece-la e dar-lhe as boas vindas em www.joanavc.blogspot.com.


Somos quase um clã familiar nesta terra de ninguém que é a blogosfera! (E, a julgar a frequência das minhas postagens e os meus visitantes diários, eu sou o elo mais fraco).

domingo, novembro 13, 2005

Tou farta disto.

Todas as semanas tenho que lavar e aspirar a casa toda. O meu cão não larga pêlo, o meu cão larga NOVELOS! E zumba, lá vou eu aspirar e lavar.

Querido Nogui, esta semana aspiras e lavas tu a casa. E não quero cá desculpas esfarrapadas de que não podes porque não tens polegares.

terça-feira, novembro 08, 2005

A ausência das palavras

é decerto a mais terrível das ausências. O silêncio pode ser descoberta, o silêncio pode ser cumplicidade - o silêncio pode ser entendimento. Entendimento entendido subtilmente, entendido em segredo. A ausência das palavras não é isso, é so vazio.
Quando há a ausência das palavras, o vazio é feito de "enchidos", carne sangrenta empurrada de qualquer maneira. É o vale-tudo das frases que continuam vazias de palavras que queiram realmente dizer alguma coisa.
Reparem que normalmente tudo o que as pessoas dizem é desinteressante. "Então, que tal?" "Bem... muito trabalho" "Pois, eu também... nem imaginas o que eu tive que fazer esta semana!" e é quase certo que começa uma espécie de competição sobre quem teve mais que fazer. E nenhum dos lados está realmente interessado naquilo que o outro lado diz que fez mas apenas em demonstrar que a sua semana foi mais "enchida" do que a do outro lado. "Enchida" sim, como farinheira ou chouriço.
O verdadeiro mal nem é que a maior parte das conversas sejam desinteressantes - são-no quase sempre. O que importa numa conversa, creio, é a interacção entre duas pessoas, o criar, reforçar ou desfazer laços afectivos. Para isso não é importante o nível de interesse da conversa, só interessa o efeito ou impacto que a pessoa, por meio daquela conversa, de todas as necessidades preenchidas e reveladas, por meio de um "jogo" de movimentos, expressões, atitudes, olhares, o efeito ou o impacto que a outra pessoa e nós proprios ficamos dos laços criados, reforçados ou desfeitos.
Não são as conversas desinteressantes o sintoma da ausência de palavras. O sintoma é, na verdade, o vazio que se sente cá dentro e que não vai embora mesmo quando se sofre de "verborreia".

segunda-feira, novembro 07, 2005

No chão do céu

há muito que se perderam as nuvens coloridas dos sonhos que se realizaram. Às vitórias pessoais juntam-se as sujidades próprias e as alheias - na guerra há sempre mortos e nenhuma guerra pode ter vencedores quando há vítimas a lamentar.
Nem sequer podemos brandar aos céus que nos esquecemos do sentido, nunca o soubemos mas talvez estejamos esquecidos de o procurar. Ou então limitámonos a entregar armas e desistir dessa luta para sujarmos as mãos em batalhas menores.
Que psicologia se esconde por trás da desistência? Que fica após da entrega de armas e da recusa em nos entregarmos ao que quer que seja?
As cores da moda primam pelos fosforescentes quando na verdade há muito que nos rendemos aos pastéis - e nem assim encontrámos o equilíbrio.
A vida não é para se viver, é para se ir vivendo. Razão tem aquele que diz coisas estranhas que ninguém sabe o que querem dizer. E a arte da vida continua a ser a habilidade que cada um tem de gozar consigo próprio - depois de ter gozado com todos os outros. Mesmo, ou especialmente, quando o próprio não sabe bem o que quis dizer. Desde, claro, que não mostre isso aos outros.



(Foi esse o meu erro consciente e a minha vitória anunciada!)

domingo, novembro 06, 2005

Estou aborrecida,

ligeiramente entediada. Na verdade, completamente arrasada e triste. O meu cão foi-me raptado. Acalmem-se aqueles que estão já a caminho da esquadra para fazer queixa, não, não, sentem-se de novo por favor... já está? Pronto, pronto... eu explico: o meu cão foi-me raptado, subtil e docilmente levado pela minha mãe. Pois sim. Deu-me dois pares de calças, um livro e deixou-me vestida, lida e sem cão. O saldo é-me penosamente negativo, é mesmo. A casa está limpa, brilhante, reluzente. È possível e aceitável comer-se no chão mas o que me dói a mim não vislumbrar por meio de uma fuga de luz solar que me entra incautamente pelas frisas da persiana, um ou dois pêlos amarelos boiando no ar.

Ouvi algures recentemente que os amigos imaginários das crianças surgem em momentos de perda, mudanças difíceis com as quais os pobres anjinhos (quando são nossos) ou os inquietos diabinhos (quando são dos outros) se defendem do que não sabem lidar. Pareceu-me bem, pareceu-me aceitável, escolhi a Tita. A Tita é o meu novo animal de estimação para que eu própria consiga lidar com esta irremdiável perda semanal, com interrupção ao fim de semana.

A Tita é uma tartaruga marinha. Tem 110 anos de idade, uma jovem na flor da vida. A minha Tita é uma "Eretmochelys imbricata ", nome para a vulgar "Tartaruga de Pente". Mede 90cm e pesa 140kl. Não é muito para a espécie mas mesmo assim é tão tão tão bonita! Deve ser por isso que as pessoas de campo de ourique param na rua quando eu passo com a trela, passeando a minha Tita. Os cócós dela, apesar do seu tamanho, são mais fáceis de apanhar dos que o do meu cão. A parte mais chata é que os passeios, apesar de o percurso ser o mesmo, são um bocadinho mais demorados....

sábado, outubro 29, 2005

Em casas normais

ouvem-se coisas do género: "Filho, não te metas nos charros..."

Na minha casa ouve-se a voz da senhora minha mãe dizendo: "Mãe, não se meta nas empadas...".

É. A minha avó ta viciada em empadas. E se vissem a empedrada com que fica!...

segunda-feira, outubro 24, 2005

O grande problema dos pais

é que passam mais de metade da vida dos filhos a tentarem dizer-lhes o que é melhor para eles. Para nós. E como é que os pais sabem o que é melhor para nós? Porque passam a vida a sonhar alto sobre aquilo que poderíamos ser, aquilo que poderíamos conseguir e isso tudo. O problema é que os filhos também sonham e, frequentemente, sonham coisas diferentes. E no fim ainda sabemos que fomos nós, filhos, que estragámos tudo.

domingo, outubro 16, 2005

Ás vezes desconfio

que a vida é um grande baile de gala onde todos desfilam ostentando as suas glórias e virtudes para depois chegar a casa e descobrir que afinal as meias estavam cheias de malhas.

(outras vezes a neura passa-me e pronto)

quinta-feira, outubro 13, 2005

vou ali a roma

mas já ca volto.

(devia eu ter escrito à 4 dias atrás. já voltei, foi giro foi... mais vale tarde do que nunca?)

quinta-feira, outubro 06, 2005

7h00 da manhã.

Levanto-me azuada. Banho, vestir, café. Tentar abrir os olhos, nopes, ainda não é desta. Chego ao carro, oh bolas. Dois otários estacionaram muito muito muito juntinho do meu carro, um centímetro para cada lado. Bom, ao menos o meu carro não sofreu de falta de calor automóvel (à falta de calor humano). Penso cá para mim, abrir os olhos ainda não consigo mas já começo com as piadinhas secas... ainda bem que acordo bem disposta, mesmo quando não estou totalmente acordada. Ok, outra piadinha seca.

Entro no carro a tentar tirá-lo dali. Pancadinha no carro de trás, azelha pá. Vá lá, foi devagarinho. Será que desta já passa? Muito muito devagarinho ponho-me a tentar... acho que passa, acho que vai passar, passou! E ouço uma brutal travagem: hiiiiiiiiiiiissshh (não estou muito certa que este seja o efeito sonoro de uma travagem mas vocês perceberam). Olho para o lado e tenho então um indivíduo de raça caucasiana, do sexo feminino, entre os 35 e 40 anos a gesticular que nem uma louca dentro de um golf branco, modelo antigo, comercial.

Olho para ela a gesticular, acho que me está a chamar maluca, parece muito muito furiosa e penso, céus, esta gente acorda cheia de energia! Faço-lhe um aceno com a mão, o que normalmente se usa como obrigada e preparo-me para seguir viagem agora que já descobri que o carro passou. Nopes, a dita personagem sai do carro dela em fúria, dá dois pontapés na porta do meu carro, chama-me puta e filha da puta, manda-me para aqueles sítios poucos produtivos, entra no carro e vai-se embora ainda a gesticular. Penso, céus, esta gente acorda mesmo cheia de energia! Isto foi um bocado alternativo logo para as 7h30 da manhã. Inda para mais, ela estava de sandálias... bom, não há azar, ainda bem que acordo bem disposta. E já tenho uma histórinha alternativa para contar lá na escolinha quando chegar.

Chego então à escolinha e digo: Ei malta... vocÊs nem sabem o que me aconteceu mesmo agora, as 7h30 da manhã!
E diz-me a Jodi: Olha, eu vi uma avestruz a passar a estrada em direcção à faculdade de ciências.
- Viste o quê?
- Uma avestruz. Ou um pavão, não sei. Tinha o tamanha de uma avestruz mas as cores de um pavão.
- Tás a gozar não tás? O que é que bebeste ou fumaste ontem à noite?
- Nada. Vi uma avestruz a passar a estrada em Lisboa, o que é que tem?
- Ahhh.... errr...
E prontos, foi assim que a minha manhã alternativa passou a ser uma manhã perfeitamente banal. Quem é que pode competir com uma avestruz a passear de manhã em Lisboa?