Há pessoas e pessoas. Amigos e amigos. Interesses e interesses. Por esta ordem de pensamento, há perguntas e perguntas, respostas e respostas, e uma grande confusão quando o pretendido era a resposta 1 e recebemos a resposta 2, porque a pergunta foi confundida com a outra pergunta. Ou melhor, é tudo uma questão de sentido.
Não entrem em pânico já nem se baralhem, isto sou só eu a enrolar. Traduzindo, é uma chatice quando fazemos uma pergunta de cortesia e nos respondem com uma resposta de interesse.
Imaginem um casamento, acontecimento propício a todo este desenrolar de aborrecimento. Imaginem uma pessoa que vocês conhecem mais ou menos (costumam vê-la de acontecimento oficial em acontecimento oficial) e vocês perguntarem-lhe, "então? tudo bem?". A resposta que queremos ouvir é "Sim, e contigo?". Depois respondemos, "Também... até já!" e fazemos aquele sorriso oficial destes eventos oficiais e seguimos caminho. É fácil. É rápido. É indolor.
O que pode correr mal? Que o interpelado confunda a pergunta de cortesia com uma pergunta de interesse. E depois é uma chatice. Lá começa a desenrolar um fio de acontecimentos de uma vida que pouco nos interessa, perde-se em pormenores de gentes e nomes que não nos dizem nada, alonga-se em imprevistos passados em terras onde nunca estivemos. E nós? Sorrimos corajosamente enquanto a nossa mente divaga por terrenos inóspitos, tentado manter o ar de interesse e concentração. A chatice? Quando nos perguntam o que achamos. A saída é facil, normalmente dizer-se "Pois tem razão, é incrivel, é incrivel." Dá sempre. Ou então "Depende" mas esta deixa normalmente implica uma sustentação argumentativa.
Agora que já sabem a solução a este imbróglio, peço-vos, tenham cuidado quando vos fizerem uma pergunta. Não confundam cortesia com interesse. E se acharam que não confundiram, ponham-se alerta se vos responderem "Pois tem razão, é incrivel, é incrivel!"...
Já fomos, já deixamos de ser, talvez estejamos de volta. Poderá ser o regresso do mito. O mito que nunca o foi.
segunda-feira, maio 15, 2006
terça-feira, maio 09, 2006
Urgências no mundo profissional
Os escritórios estavam maioritariamente silenciosos. Um toque de telefone, uma voz suave de secretária. O ritmico bater de teclados, passos atarefados que se cruzam em corredores brilhantes e encerados e se perdem ao longe no tinir do elevador.
De súbito sente-se a dor urgente que reclama atenção. Os passos são curtos mas apressados tentando imiscuir-se daquele apressar profissional que ecoa em todo o edificio. O olhar furtivo para os dois lados, "será que alguém me vai ver entrar para a casa-de-banho?"
O alívio sufocante, os sons que se tentam dissimular. Lá fora há os mesmos passos, os mesmos telefones que tocam. Talvez o mundo continue a girar igual lá fora. O escoamento! Finalmente! O cheiro habitual sobe e envolve, a cara é de um alívio sem precedentes. A água fria produz um choque, a cara continua relaxada. A porta. O trinco. Põe-se a máscara empedrada que reflecte um misto de pressa e preocupação, encarreira-se nos passos apressados e decididos e para trás fica o cheiro como testemunho do alívio de quem cagou e bem!
Agora, só uma dúvida substancial se faz sentir... "Quem será a proxima pessoa do escritório a entrar na casa-de-banho? E saberá que fui eu que lá estive antes?"
De súbito sente-se a dor urgente que reclama atenção. Os passos são curtos mas apressados tentando imiscuir-se daquele apressar profissional que ecoa em todo o edificio. O olhar furtivo para os dois lados, "será que alguém me vai ver entrar para a casa-de-banho?"
O alívio sufocante, os sons que se tentam dissimular. Lá fora há os mesmos passos, os mesmos telefones que tocam. Talvez o mundo continue a girar igual lá fora. O escoamento! Finalmente! O cheiro habitual sobe e envolve, a cara é de um alívio sem precedentes. A água fria produz um choque, a cara continua relaxada. A porta. O trinco. Põe-se a máscara empedrada que reflecte um misto de pressa e preocupação, encarreira-se nos passos apressados e decididos e para trás fica o cheiro como testemunho do alívio de quem cagou e bem!
Agora, só uma dúvida substancial se faz sentir... "Quem será a proxima pessoa do escritório a entrar na casa-de-banho? E saberá que fui eu que lá estive antes?"
terça-feira, maio 02, 2006
quarta-feira, abril 26, 2006
Não sei se voltei
mas é verdade que estava a ficar com saudades disto. Andei por aí a cuscar uns blogs alheios e olha, deu-se-me a nostalgia. A verdade é que agora não me dá jeito nenhum ficar viciada nisto outra vez, já trabalho e tenho sempre mil e uma coisas para fazer... E se os meus patrões descobrem que ando por aqui a postar em vez de estar a trabalhar ainda... hum... ainda... me dão uma sova!! Népias, para quem ainda não sabe tive uma sorte descomunal e não podia tar melhor, mais contente, mais entusiasmada e a gostar mais disto do que o que estou.
E tem acontecido umas cenas engraçadas... quando puder conto-as. Por agora olhem... tou a meditar sobre o regresso ou nao. Para todos os efeitos, ainda não sei se voltei.
(E já agora... AMANHÃ FAÇO ANOS!!!)
E tem acontecido umas cenas engraçadas... quando puder conto-as. Por agora olhem... tou a meditar sobre o regresso ou nao. Para todos os efeitos, ainda não sei se voltei.
(E já agora... AMANHÃ FAÇO ANOS!!!)
quinta-feira, março 16, 2006
era uma vez
um barco carregado de ovelhas. As ovelhas estavam contentes e felizes, tinham emigrado de um continente árido e agreste e preparavam-se para chegar a espanha, clima ameno, boa qualidade de vida... parecia perfeito, um bom país para se viver. Contudo, assim que lá chegaram, em vez da espalhafatosa festa esperada foi a desilusão. Os espanhóis já tinham ovelhas que chegassem e estavam à espera de um animal mais excêntrico, mais exótico. Não gostaram portanto das ovelhas e recambiaram-nas de volta.
Pobres ovelhas tristes, tantos sonhos desfeitos, meteram-se de novo no barco e rumo a outro lado. Depois de uma reunião daquelas que duram horas e mais horas, depois de muitos cigarros fumados, discussões mais ou menos infrutíferas, lá decidiram rumar em direcção á austrália. O clima até era melhor e havia cangurus. Quem sabe se não surgiria uma nova espécie cruzada de ovelhas e cangurus? ovelharu. ou canguruvelha. Logo se veria. De novo o ânimo lhes corre pelas veias e ála que se faz tarde.
Chegadas á australia nova desilução. Ao invés de esbeltos e saltitantes cangurus, todos eles estavam velhos e gordos, em vez de bolsa marsupial havia uma bela barriguinha de cerveja e rapidamente perceberam que o clima ali era demais para o casaco de lã que as pobres ovelhas não conseguem despir com facilidade.
Nova volta atrás, nova reunião. Mais maços fumados, vozes levantadas, decisões indecisas e seria o brasil novo destino. Rumaram portanto em direcção ao Brasil mas antes de lá chegarem a narradora lembrou-se que este post é so para avisar que o blog vai ter uma interrupção e talvez siga dentro de momentos ou talvez não. Uma pausa agora oficial já que toda a gente já se deve ter dado conta que eu tenho andando mais por outras bandas do que pela blogosfera.
A todos um muito obrigado, um grande bem haja e até mais ler.
Pobres ovelhas tristes, tantos sonhos desfeitos, meteram-se de novo no barco e rumo a outro lado. Depois de uma reunião daquelas que duram horas e mais horas, depois de muitos cigarros fumados, discussões mais ou menos infrutíferas, lá decidiram rumar em direcção á austrália. O clima até era melhor e havia cangurus. Quem sabe se não surgiria uma nova espécie cruzada de ovelhas e cangurus? ovelharu. ou canguruvelha. Logo se veria. De novo o ânimo lhes corre pelas veias e ála que se faz tarde.
Chegadas á australia nova desilução. Ao invés de esbeltos e saltitantes cangurus, todos eles estavam velhos e gordos, em vez de bolsa marsupial havia uma bela barriguinha de cerveja e rapidamente perceberam que o clima ali era demais para o casaco de lã que as pobres ovelhas não conseguem despir com facilidade.
Nova volta atrás, nova reunião. Mais maços fumados, vozes levantadas, decisões indecisas e seria o brasil novo destino. Rumaram portanto em direcção ao Brasil mas antes de lá chegarem a narradora lembrou-se que este post é so para avisar que o blog vai ter uma interrupção e talvez siga dentro de momentos ou talvez não. Uma pausa agora oficial já que toda a gente já se deve ter dado conta que eu tenho andando mais por outras bandas do que pela blogosfera.
A todos um muito obrigado, um grande bem haja e até mais ler.
domingo, fevereiro 19, 2006
acabei de chegar do brasil
e eis que me deparo com um frio arrepiante, chuva, vento gelado que seca a pele da cara (e faz saltar o bronze muito mais depressa).
Portanto, tenho um plano. Unam-se a mim, vozes que tendes frio, gentes que tremeis! Acendei os aquecedores e deixai as janelas abertas, VAMOS AQUECER LISBOA!!
Portanto, tenho um plano. Unam-se a mim, vozes que tendes frio, gentes que tremeis! Acendei os aquecedores e deixai as janelas abertas, VAMOS AQUECER LISBOA!!
terça-feira, janeiro 31, 2006
os meus cães
atiraram-se violentamente a um saco de roupa e gostaram especialmente de um saquinho de alfazema. Pergunto-me, será que amanhã eles vão dar puns perfumados?
quinta-feira, janeiro 19, 2006
Primeira compra em Barcelona!
Estou muy contenta, já fui shopping por Barça. Tinha aqui uma coisa em mente, encontrei-a e superou as minhas expectativas. Consegui encontrar o que queria, com uma oferta, a bom preço, de boa qualidade, cores giras e formato ergonómico. A minha primeira compra em Barcelona, uma escova de dentes verde com oferta de uma pasta! Pois, esqueci-me da minha.
quarta-feira, janeiro 18, 2006
terça-feira, janeiro 17, 2006
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Pedido de moblização:
Senhoras e senhores, amigos e desconhecidos, leitores, ouvintes, digestivos: Está na hora de acabarmos com a descriminação! Grito, temos que nos unir em prol de mais uma causa justa, em prol da igualdade de direitos, em prol da felicidade e da realização de todos os que ficam aquém de cumprir o seu destino, a sua tarefa, a razão da sua existência!!
Temos que tomar medidas gástricas!! SALVEMOS AS ANEDOTAS SECAS!!
Sim, são secas, mas não é por isso que deixam de ser anedotas!! Tem tanta razão de existir como as outras, a sua função é a mesma. Se são secas, cabe-nos a nós aceitá-las como são. Pela vida, por um mundo melhor, pela economia portuguesa até! Compre uma garrafa de àgua e conte uma anedota seca.
(P.S. - Só resulta pela economia se a Àgua for de marca nacional)
Temos que tomar medidas gástricas!! SALVEMOS AS ANEDOTAS SECAS!!
Sim, são secas, mas não é por isso que deixam de ser anedotas!! Tem tanta razão de existir como as outras, a sua função é a mesma. Se são secas, cabe-nos a nós aceitá-las como são. Pela vida, por um mundo melhor, pela economia portuguesa até! Compre uma garrafa de àgua e conte uma anedota seca.
(P.S. - Só resulta pela economia se a Àgua for de marca nacional)
domingo, janeiro 08, 2006
Eu acredito na honestidade e no diálogo.
As relações humanas são complicadas. Às vezes surgem mal-entendidos e ninguém sabe muito bem como. Muitas vezes para se deslindarem é uma carga de trabalhos, amizades saem desfeitas e namoros acabados. O pior é que, em alguns casos, a coisa poderia ter sido resolvida calmamente e a bem.
Por exemplo, eu tenho uma amiga que tinha um namorado. Ás tantas começou a desconfiar que ele a traía mas nunca foi capaz de lhe dizer nada. Guardou a desconfiança para ela, aquilo começou a crescer lá dentro, a remexer-lhe as entranhas, foi aumentando, aumentando, aumentando até que um dia as sobrancelhas lhe cairam. Assim, puf. E agora ela tem que as pintar com um lápis só que não tem muito jeito para desenho e então pinta-as sempre muito rectas só que inclinadas, primeiro perto do princípio do nariz e a acabar mais acima, tão a ver? Então parece que está sempre zangada. Outra parte má é que também não é fácil pintar as sobrancelhas todos os dias. Quando ela apanha chuva fica com um ar um bocado esquisito também.
É por isso que vos digo, em caso de dúvida, perguntem.
Por exemplo, eu tenho uma amiga que tinha um namorado. Ás tantas começou a desconfiar que ele a traía mas nunca foi capaz de lhe dizer nada. Guardou a desconfiança para ela, aquilo começou a crescer lá dentro, a remexer-lhe as entranhas, foi aumentando, aumentando, aumentando até que um dia as sobrancelhas lhe cairam. Assim, puf. E agora ela tem que as pintar com um lápis só que não tem muito jeito para desenho e então pinta-as sempre muito rectas só que inclinadas, primeiro perto do princípio do nariz e a acabar mais acima, tão a ver? Então parece que está sempre zangada. Outra parte má é que também não é fácil pintar as sobrancelhas todos os dias. Quando ela apanha chuva fica com um ar um bocado esquisito também.
É por isso que vos digo, em caso de dúvida, perguntem.
sexta-feira, janeiro 06, 2006
Força nisso!
Se tens medo das alturas, sobe a um edifício! Se tens medo de cobras, arranja uma de animal de estimação! Enfrenta os teus medos! Encara a morte de frente, mija contra o vento!
terça-feira, janeiro 03, 2006
Procrastinação
Procrastinar: deixar para o dia de amanhã; adiar; demorar. Isto segundo o priberam, como podem confirmar. Na prática, procrastinar quer dizer "preguiçar" (não sei porque raios eles arranjam sempre sinónimos ainda mais inteligíveis do que a palavra que queremos saber o significado).
Pois bem, eu tenho um problema com a procrastinação (e acho-a uma palavra engraçada, portanto, aviso já que a vou repetir um montão de vezes).
Sempre que tenho alguma coisa para fazer arranjo outras coisas para fazer antes e depois não faço aquilo que tinha para fazer e fico deprimida por não ter feito e já se sabe que deprimida é que ninguém faz nada.
Pois bem, o outro dia falei com uma amiga e ela disse-me, tens que te impôr obrigações, tens que te obrigar. Se tiveres feedback do outro lado melhor... essas coisas. E então eu pensei, ora aí está! E arranjei um blog. Já lá vai um ano mas sempre que começo a escrever é a mesma coisa. Reparem, começo por pensar: "Do que é que quero falar? O que é que quero mesmo dizer?" Então, sento-me ao computador, olho para ele e penso: "Bolas, isto tá tudo sujo. Não posso escrever com o computador todo sujo!" Lá vou para a cozinha, paninho, cera para o ecrãn, aspirador de mão por causa da cinza... limpar o computador. É claro que antes de chegar à cozinha aparece o meu cão a pedir festinhas. Não se consegue resistir ao nosso cão a pedir festinhas, vá de brincadeira com o cão, só um bocadinho. Bom, passados 45 minutos penso, "o que é que eu ia fazer?" Mas já é hora de ir passear o cão. Trela, la vamos nós.
Quando se volta pronto, já se sabe. "O que é que eu tinha mesmo para fazer?" Mas lembro-me que tenho que ser preserverante e concentrada, sento-me no chão a olhar em volta a tentar lembrar-me do que é que tinha para fazer. Enquanto olho penso... que o corredor está a precisar de ser pintado. Devia mesmo pintar o corredor. É que o corredor era branco. Bom, ele é branco mas de certeza que tem um nome específico para o branco. Vale tudo, casquinha de ovo, branco cal, branco pérola, bege, cáqui, marfim... acho que o do meu corredor é o "branco-dente-de-fumador". Também gostava de saber quem paga a essas pessoas que põem nomes às tintas. Autênticos génios criativos, digo-vos eu!
Enfim... mas se calhar ficava bem de amarelo. Amarelo canário ou amarelo banana? Bom, estava nisto quando o telefone tocou, era uma amiga minha. Tive que lhe dizer, "épá, não posso falar contigo agora, estou a escrever um post" e ela disse-me, "céus, tu és tão disciplinada... é que eu tenho um problema com a procrastinação." Bom, convidei-a para irmos lanchar, estava a ficar hora do lanche e já se sabe, se uma amiga nossa tem um problema com a procrastinação quer falar disso, né?
Estavamos a lanchar, ela a falar, nós no café... e a empregada ouve e diz: "A sério? Procrastinação? Eu também tenho um problema com isso!" mas eu calculei que era mentira, que era só para tar ali sem fazer nada e então mandei-a buscar a minha sandes. É que as pessoas tem muito a mania de inventarem que tem um problema com a procrastinação quando não querem fazer nada. Foi quando me ocorreu, se calhar devia escrever um post sobre a procrastinação! Mas depois pensei, "bah, quem é que eu quero enganar? Nunca vou escrever um post sobre a procrastinação, isso dá trabalho e eu sou muito preguiçosa... acho que tenho um problema com a procrastinação".
Pois bem, eu tenho um problema com a procrastinação (e acho-a uma palavra engraçada, portanto, aviso já que a vou repetir um montão de vezes).
Sempre que tenho alguma coisa para fazer arranjo outras coisas para fazer antes e depois não faço aquilo que tinha para fazer e fico deprimida por não ter feito e já se sabe que deprimida é que ninguém faz nada.
Pois bem, o outro dia falei com uma amiga e ela disse-me, tens que te impôr obrigações, tens que te obrigar. Se tiveres feedback do outro lado melhor... essas coisas. E então eu pensei, ora aí está! E arranjei um blog. Já lá vai um ano mas sempre que começo a escrever é a mesma coisa. Reparem, começo por pensar: "Do que é que quero falar? O que é que quero mesmo dizer?" Então, sento-me ao computador, olho para ele e penso: "Bolas, isto tá tudo sujo. Não posso escrever com o computador todo sujo!" Lá vou para a cozinha, paninho, cera para o ecrãn, aspirador de mão por causa da cinza... limpar o computador. É claro que antes de chegar à cozinha aparece o meu cão a pedir festinhas. Não se consegue resistir ao nosso cão a pedir festinhas, vá de brincadeira com o cão, só um bocadinho. Bom, passados 45 minutos penso, "o que é que eu ia fazer?" Mas já é hora de ir passear o cão. Trela, la vamos nós.
Quando se volta pronto, já se sabe. "O que é que eu tinha mesmo para fazer?" Mas lembro-me que tenho que ser preserverante e concentrada, sento-me no chão a olhar em volta a tentar lembrar-me do que é que tinha para fazer. Enquanto olho penso... que o corredor está a precisar de ser pintado. Devia mesmo pintar o corredor. É que o corredor era branco. Bom, ele é branco mas de certeza que tem um nome específico para o branco. Vale tudo, casquinha de ovo, branco cal, branco pérola, bege, cáqui, marfim... acho que o do meu corredor é o "branco-dente-de-fumador". Também gostava de saber quem paga a essas pessoas que põem nomes às tintas. Autênticos génios criativos, digo-vos eu!
Enfim... mas se calhar ficava bem de amarelo. Amarelo canário ou amarelo banana? Bom, estava nisto quando o telefone tocou, era uma amiga minha. Tive que lhe dizer, "épá, não posso falar contigo agora, estou a escrever um post" e ela disse-me, "céus, tu és tão disciplinada... é que eu tenho um problema com a procrastinação." Bom, convidei-a para irmos lanchar, estava a ficar hora do lanche e já se sabe, se uma amiga nossa tem um problema com a procrastinação quer falar disso, né?
Estavamos a lanchar, ela a falar, nós no café... e a empregada ouve e diz: "A sério? Procrastinação? Eu também tenho um problema com isso!" mas eu calculei que era mentira, que era só para tar ali sem fazer nada e então mandei-a buscar a minha sandes. É que as pessoas tem muito a mania de inventarem que tem um problema com a procrastinação quando não querem fazer nada. Foi quando me ocorreu, se calhar devia escrever um post sobre a procrastinação! Mas depois pensei, "bah, quem é que eu quero enganar? Nunca vou escrever um post sobre a procrastinação, isso dá trabalho e eu sou muito preguiçosa... acho que tenho um problema com a procrastinação".
quinta-feira, dezembro 29, 2005
quer dançar?
avança, recua, foge, corre, pára, anda, avança, afasta.
e eu que não sei dançar o tango!
e eu que não sei dançar o tango!
quarta-feira, dezembro 28, 2005
terça-feira, dezembro 27, 2005
ah pois, oh sim, ai é? vais ver, vais ler. vais sim, vais agora. começa!
E começas na descoberta, vejo os teus olhos atentos, a percorrerem as linhas que escrevo, lês agora, escrevo agora.
Atrofio, atrofias comigo agora, que remédio enquanto ainda aí estás. E não largas o rato, já viste? Tens o rato debaixo da mão. Tem rodinha o teu rato? No meio das teclas? Gosto de ratos com rodas. Espero que tenhas um rato com rodinha. Devias ter um rato com rodinha. Deviamos todos fazer o movimento pró-rato-com-rodinhas. Eu não tenho um rato com rodinha mas é porque não tenho rato nenhum, tenho um quadradinho onde passeio o dedo.
Ainda ai tas? A fazer o quê? Eu não sei o que tou aqui a fazer. Não me apetece tar aqui, não consigo dizer, leia-se escrever, nada de jeito. Ok, não te estou a dar novidade nenhuma pois não? Bem me parecia que não. Pois. Sim. Não.
Só me apetece é beber gasóleo e labrar.
Vou-me embora agora. Vens ou ficas?
Atrofio, atrofias comigo agora, que remédio enquanto ainda aí estás. E não largas o rato, já viste? Tens o rato debaixo da mão. Tem rodinha o teu rato? No meio das teclas? Gosto de ratos com rodas. Espero que tenhas um rato com rodinha. Devias ter um rato com rodinha. Deviamos todos fazer o movimento pró-rato-com-rodinhas. Eu não tenho um rato com rodinha mas é porque não tenho rato nenhum, tenho um quadradinho onde passeio o dedo.
Ainda ai tas? A fazer o quê? Eu não sei o que tou aqui a fazer. Não me apetece tar aqui, não consigo dizer, leia-se escrever, nada de jeito. Ok, não te estou a dar novidade nenhuma pois não? Bem me parecia que não. Pois. Sim. Não.
Só me apetece é beber gasóleo e labrar.
Vou-me embora agora. Vens ou ficas?
sexta-feira, dezembro 23, 2005
Hoje vou falar-vos
de casas de banho. De casas de banho? Sim, sim. Mas não de umas quaisquer casas de banho... não. Vou falar-vos de casas de banho públicas. Casas de banho de cafés, centros comerciais, instituições. Todas as casas de banho cuja porta não chega do tecto ao chão e onde se pode ver os pézinhos tortos com as calças em cima.
Não sei se já repararam mas há imensos sítios onde as portas das casas de banho públicas não tem trinco. As marcas estão lá, houve uma vez um trinco... mas já não há. Ainda não percebi se há todoum gang de ladrões de trincos de casa de banho ou se as variadas gerências decidem ao fim de algum tempo que estão fartos de abrir casas de banho que se fecham sozinhas. O que é facto é que há poucas coisas tão desagradáveis como ir fazer xixi a uma casa de banho pública sem trinco.
Em primeiro lugar é a posição. Fazer xixi numa casa de banho pública já não é por si fácil, há toda uma posição precária de equilíbrio com as pernas limitadas pelas calças. "Não me vou sentar, não me vou sentar...", faz-se força, as pernas começam a tremer, os pés não tem muita margem de manobra para o caso de desequilíbrio... Bom, a coisa piora substancialmente quando a casa de banho não tem trinco. Temos que manter a posição precária, os pés continuam limitados, o rabo não pode tocar na retrete e ainda temos que segurar a porta. Tudo ao mesmo tempo. Ah, claro, e fazer xixi e acertar no sítio.
Pessoalmente não sei se há casas de banho com câmaras de video. Até pode haver, sei lá, se filmarem de cima é capaz de não ser muito grave. É que eu gostava mesmo de assistir a uma gravação de uma casa de banho cuja porta sem trinco estivesse a mais de 50 cm da retrete. 50 cm é mais ou menos aquela distância crítica, pelo menos para mim, em que é impossível segurar a porta com os pés e é complicado segurar as calças com uma mão, limpar o rabo com a outra e segurar a porta. Tenho consciência que já fiz malabarismos incríveis a tentar cumprir todas estas tarefas ao mesmo tempo! Agora, gostava era de ver malabarismos alheios para ver se usam técnicas melhores que as minhas.
Há situações em é inevitável largar a porta por dois ou três segundos. Às vezes acontece nessa eternidade temporal alguém abri-la e dar connosco na posição mais vulnerável das nossas vidas. A cara que fazemos deve ser simplesmente digna de ser fotografada. A sério. Geralmente a porta volta-se a fechar rapidamente enquanto uma voz lá de fora pede desculpa. Quase sempre respondemos "não faz mal". Claro que faz. Faz mesmo muito mal. E o pior é as possíveis consequências da nossa resposta educada. Já pensaram se um dia destes a porta se volta a abrir de novo e nos entra alguém estranho pela casa de banho adentro? "Não faz mal, foi o que disse". Ainda praí aparece algum louco a tentar fazer xixi ao mesmo tempo que nós ou isso... "Não faz mal, pois não?".
Enquanto isso não acontece, depois do "não faz mal" inconsequente, há o encontro. A saída da casa de banho e o cara-a-cara com o idiota que nos abriu a porta. Que sabe qual é a nossa estratégia de equilíbrio. Que nos viu a fazer xixi numa casa de banho pública. Ah, se os olhares matassem....
Não sei se já repararam mas há imensos sítios onde as portas das casas de banho públicas não tem trinco. As marcas estão lá, houve uma vez um trinco... mas já não há. Ainda não percebi se há todoum gang de ladrões de trincos de casa de banho ou se as variadas gerências decidem ao fim de algum tempo que estão fartos de abrir casas de banho que se fecham sozinhas. O que é facto é que há poucas coisas tão desagradáveis como ir fazer xixi a uma casa de banho pública sem trinco.
Em primeiro lugar é a posição. Fazer xixi numa casa de banho pública já não é por si fácil, há toda uma posição precária de equilíbrio com as pernas limitadas pelas calças. "Não me vou sentar, não me vou sentar...", faz-se força, as pernas começam a tremer, os pés não tem muita margem de manobra para o caso de desequilíbrio... Bom, a coisa piora substancialmente quando a casa de banho não tem trinco. Temos que manter a posição precária, os pés continuam limitados, o rabo não pode tocar na retrete e ainda temos que segurar a porta. Tudo ao mesmo tempo. Ah, claro, e fazer xixi e acertar no sítio.
Pessoalmente não sei se há casas de banho com câmaras de video. Até pode haver, sei lá, se filmarem de cima é capaz de não ser muito grave. É que eu gostava mesmo de assistir a uma gravação de uma casa de banho cuja porta sem trinco estivesse a mais de 50 cm da retrete. 50 cm é mais ou menos aquela distância crítica, pelo menos para mim, em que é impossível segurar a porta com os pés e é complicado segurar as calças com uma mão, limpar o rabo com a outra e segurar a porta. Tenho consciência que já fiz malabarismos incríveis a tentar cumprir todas estas tarefas ao mesmo tempo! Agora, gostava era de ver malabarismos alheios para ver se usam técnicas melhores que as minhas.
Há situações em é inevitável largar a porta por dois ou três segundos. Às vezes acontece nessa eternidade temporal alguém abri-la e dar connosco na posição mais vulnerável das nossas vidas. A cara que fazemos deve ser simplesmente digna de ser fotografada. A sério. Geralmente a porta volta-se a fechar rapidamente enquanto uma voz lá de fora pede desculpa. Quase sempre respondemos "não faz mal". Claro que faz. Faz mesmo muito mal. E o pior é as possíveis consequências da nossa resposta educada. Já pensaram se um dia destes a porta se volta a abrir de novo e nos entra alguém estranho pela casa de banho adentro? "Não faz mal, foi o que disse". Ainda praí aparece algum louco a tentar fazer xixi ao mesmo tempo que nós ou isso... "Não faz mal, pois não?".
Enquanto isso não acontece, depois do "não faz mal" inconsequente, há o encontro. A saída da casa de banho e o cara-a-cara com o idiota que nos abriu a porta. Que sabe qual é a nossa estratégia de equilíbrio. Que nos viu a fazer xixi numa casa de banho pública. Ah, se os olhares matassem....
quinta-feira, dezembro 22, 2005
Às vezes
nós tomamos uma decisão contra tudo e contra todos. Às vezes nem a tomamos bem, é-nos apresentada pelo nosso semi-consciente como inevitável e lá vamos nós. O nosso bem-consciente lá nos avisa, "olha que não, olha que não" e nós nada, não lhe ligamos népias e seguimos caminho. Contra o que der e vier. Siga pra bingo que disto não posso fugir, não quero fugir. E eis senão quando nos aparece O sinal, O único indício que talvez possamos ter razão: um piscar de olhos. Então acreditamos que estamos certos, que somos o único ser certo no mundo inteiro.
O problema é que, mesmo se for o piscar de olhos mais sexy do mundo, pode ser só um tique.
O problema é que, mesmo se for o piscar de olhos mais sexy do mundo, pode ser só um tique.
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