Chuva. Dança. Um de cada vez, um momento de cada vez. Cada um, como cada qual. Sabendo qual o caminho da vida, com certezas - concerteza. O momento, a ser saboreado. Sim, cada um sabendo o seu momento. Há tantas verdades quantas pessoas no mundo - mas isso é para não lembrar. Talvez, às vezes.
Hoje sim, Hoje não, dependendo do momento da pergunta, dependendo da resposta no momento: vida.
Hoje, igual a todos os dias. E tu, onde estás?
Já fomos, já deixamos de ser, talvez estejamos de volta. Poderá ser o regresso do mito. O mito que nunca o foi.
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Caminha pela praia ao entardecer.
O sol punha-se, por cima do mar. Sentia a fina areia por baixo dos seus pés descalços, as ondas rugiam serenamente. Sempre lhe tinha sentido este efeito de calma, o mar. O cheiro, o sabor, o rugido. Em breve se acenderiam estrelas no firmamento e sentiria de novo quem era de verdade, de onde vinha, para onde ia.
Já se ia levantando uma brisa mais fresca. Então, tropeçou e ficou esparramada no chão.
(assim não dá pa se ter sentimento poético-filosóficos!)
O sol punha-se, por cima do mar. Sentia a fina areia por baixo dos seus pés descalços, as ondas rugiam serenamente. Sempre lhe tinha sentido este efeito de calma, o mar. O cheiro, o sabor, o rugido. Em breve se acenderiam estrelas no firmamento e sentiria de novo quem era de verdade, de onde vinha, para onde ia.
Já se ia levantando uma brisa mais fresca. Então, tropeçou e ficou esparramada no chão.
(assim não dá pa se ter sentimento poético-filosóficos!)
segunda-feira, janeiro 29, 2007
sábado, janeiro 20, 2007
O salteador da arca frigorifica
Quase meia-noite: hora de acção. Um vulto prepara-se com extremoso cuidado. Os sapatos de borracha, inaudíveis. A gabardine preta, camuflagem nocturna. O gorro preto que segura e afasta a franja dos olhos, nada poderá falhar. A lanterna é segurada por uma mão não tão firme quanto o que seria de desejar mas é só uma questão de controlo.
Começa a saga, respira-se fundo, a hora urge, o tempo é agora. Passa a porta, quase que nem respira. Desce as escadas, estudou-as tempo suficiente para saber de cor quais os degraus que rangem. A mão nem toca no corrimão, nem é preciso. Já no hall não hesita, sente as faces afogueadas e a excitação de quem está prestes a alcançar o objectivo. Entra na cozinha, o percurso decorado. O frigorífico espera-o, impávido e branco, altivo e cru. Abre a porta, estalito característico das diferentes pressões, acende-se a luz de dentro. Suspende o tempo, suspende a respiração, será que alguém ouviu? Parece-lhe que não, agarra o iogurte líquido, já nada poderá falhar agora...
- ANTÓNIO!! O que tás a fazer na cozinha a esta hora?
- Vim comer um iogurte.
- Mas porque não mo pediste filho? Eu comprei-os para ti!
- Oh mãe... porque eu gosto de viver no perigo!
Começa a saga, respira-se fundo, a hora urge, o tempo é agora. Passa a porta, quase que nem respira. Desce as escadas, estudou-as tempo suficiente para saber de cor quais os degraus que rangem. A mão nem toca no corrimão, nem é preciso. Já no hall não hesita, sente as faces afogueadas e a excitação de quem está prestes a alcançar o objectivo. Entra na cozinha, o percurso decorado. O frigorífico espera-o, impávido e branco, altivo e cru. Abre a porta, estalito característico das diferentes pressões, acende-se a luz de dentro. Suspende o tempo, suspende a respiração, será que alguém ouviu? Parece-lhe que não, agarra o iogurte líquido, já nada poderá falhar agora...
- ANTÓNIO!! O que tás a fazer na cozinha a esta hora?
- Vim comer um iogurte.
- Mas porque não mo pediste filho? Eu comprei-os para ti!
- Oh mãe... porque eu gosto de viver no perigo!
segunda-feira, janeiro 15, 2007
"Desempregada" procura Férias
Despedi-me. Tou desempregada. Ou melhor, decidi tirar férias.
A minha agenda:
2ª feira - Almoçar com a Ana que faz anos. Ir para casa. Esperar que sejam horas de jantar. Arranjar-me. Ir jantar com a Ana que faz anos.
3ª Feira - Almoçar com alguém a definir. Ir ajudar o Homem da Faina a escolher um smoking. Gozar com ele. Jantar com alguém.
4ª Feira - Comprar sugos. Não como sugos há imenso tempo. Oferecer um sugo a alguém.
5ª Feira - A definir melhor. Para já o plano é fazer qualquer coisa com alguém.
6ª Feira - Fazer qualquer coisa de (in)útil.
Sábado e Domingo - Gozar o fim-de-semana e descansar da semana atribulada.
2ª Feira - Ir a Idanha-a-Nova passar o dia para ajudar uma amiga a tratar de uns assuntos lá.
3ª Feira - Ir para Elvas.
4ª Feira - Estar em Elvas.
5ª Feira - Fartar-me de Elvas e desta vida de pária.
6ª Feira - Começar a bater com a cabeça nas paredes.
Sábado e Domingo - Gozar o fim de semana em Elvas, descansar e repôr forças.
2ª Feira - Começar a tentar arranjar uma vida.
A minha agenda:
2ª feira - Almoçar com a Ana que faz anos. Ir para casa. Esperar que sejam horas de jantar. Arranjar-me. Ir jantar com a Ana que faz anos.
3ª Feira - Almoçar com alguém a definir. Ir ajudar o Homem da Faina a escolher um smoking. Gozar com ele. Jantar com alguém.
4ª Feira - Comprar sugos. Não como sugos há imenso tempo. Oferecer um sugo a alguém.
5ª Feira - A definir melhor. Para já o plano é fazer qualquer coisa com alguém.
6ª Feira - Fazer qualquer coisa de (in)útil.
Sábado e Domingo - Gozar o fim-de-semana e descansar da semana atribulada.
2ª Feira - Ir a Idanha-a-Nova passar o dia para ajudar uma amiga a tratar de uns assuntos lá.
3ª Feira - Ir para Elvas.
4ª Feira - Estar em Elvas.
5ª Feira - Fartar-me de Elvas e desta vida de pária.
6ª Feira - Começar a bater com a cabeça nas paredes.
Sábado e Domingo - Gozar o fim de semana em Elvas, descansar e repôr forças.
2ª Feira - Começar a tentar arranjar uma vida.
sábado, janeiro 13, 2007
À procura do ser
Sentava-se perto da janela, olhando para a vida que passava lá fora e perdendo a loção do tempo. Há muito que tinha descartado questões e dúvidas, assuntos que estavam na sua mente mortos e emperrados. Contudo ressurgiam agora com nova força, tal como no filme da bela e da esfera, sentia-se perante uma encruzilhada. Sabia de cor as frases comuns - que depois da tempestade vem sempre a poupança, que quem espera sempre fica com dores no rabo de estar sentado, etc. Contava-se a si propria a história da gata borracheira ansiando o seu final feliz e o que está por detrás dele. Sentia-se com uma paciência de fanta mas, acima de tudo, não queria ser apanhada com a boca na botina. E esperava mas com um sorriso nos lábios, sorriso de quem sabe ter ainda uma carta na tanga. No fundo sabia-se livre e desentupida, sabia-se capaz e com vontade de gritar ao mundo para não aceitarem limitações suas porque só ela era a verdadeira.
Ainda assim precisava de alguma coisa a que se agarrar, alguma coisa que fosse o ar que ela transpirava. Não havia nada agora, nenhuma enorme desilusão, que a pudesse deixar em estado de shopping. Estado de shopping, quando uma pessoa tem uma enorme recepção, um esgoto proundo... não, isso não era para ela agora. Sentia-se uma cobra prima ou mesmo uma mula inspiradora, uma verdadeira Monga Lisa ou uma Vénus Mamilo.
No entanto sabia que os 3 formavam um rectângulo amoroso e era mais do que hora de solucionarem o insolucionável. Afinal, umbigos umbigos, negócios àparte. Não havia nada a temer, afinal quem não deve não treme. "O momento é este" pensava. Mas não saiu do pé da janela e ele passou - tal qual o filme, "E tudo com o vento abalou".
Ainda assim precisava de alguma coisa a que se agarrar, alguma coisa que fosse o ar que ela transpirava. Não havia nada agora, nenhuma enorme desilusão, que a pudesse deixar em estado de shopping. Estado de shopping, quando uma pessoa tem uma enorme recepção, um esgoto proundo... não, isso não era para ela agora. Sentia-se uma cobra prima ou mesmo uma mula inspiradora, uma verdadeira Monga Lisa ou uma Vénus Mamilo.
No entanto sabia que os 3 formavam um rectângulo amoroso e era mais do que hora de solucionarem o insolucionável. Afinal, umbigos umbigos, negócios àparte. Não havia nada a temer, afinal quem não deve não treme. "O momento é este" pensava. Mas não saiu do pé da janela e ele passou - tal qual o filme, "E tudo com o vento abalou".
sexta-feira, janeiro 12, 2007
conversas
Mas vais ou ficas?
Vou.. Mas sabes como é, o bom filho à casa entorna.
E depois?
Depois ainda não sei, alguns planos, algumas hipóteses...
Tu vê lá isso que mais vale um pássaro na mão do que dois a cagar-te no cucuruto.
Sim, sem dúvida. Mas já pensaste na sorte que temos? Afinal, as vacas não têm asas.
Vou.. Mas sabes como é, o bom filho à casa entorna.
E depois?
Depois ainda não sei, alguns planos, algumas hipóteses...
Tu vê lá isso que mais vale um pássaro na mão do que dois a cagar-te no cucuruto.
Sim, sem dúvida. Mas já pensaste na sorte que temos? Afinal, as vacas não têm asas.
quinta-feira, janeiro 11, 2007
quarta-feira, dezembro 27, 2006
Podia ser uma lição de moral
mas gosto mais de lhe chamar uma "pérola". Leiam-na, guardem-na e conservem-na para quando precisarem.
Em matérias de importância, conta mais onde se investiu mais. Em tempo, em carinho, em atenção.
Porque o sistema capitalista é a sociedade onde estamos inseridos e, quer queiramos ou nao, isso reflecte-se em todo o lado.
Em matérias de importância, conta mais onde se investiu mais. Em tempo, em carinho, em atenção.
Porque o sistema capitalista é a sociedade onde estamos inseridos e, quer queiramos ou nao, isso reflecte-se em todo o lado.
sábado, dezembro 23, 2006
sexta-feira, dezembro 15, 2006
20 mil éguas submarinas
Há uma hora certa que começou a sair gente para a rua. Há uma hora certa que olhas a janela e te recusas a abandonar o quentinho dos cobertores.
5 mil éguas.
Há uma hora certa que a rua fervilha de gentes aos encontrões em outras gentes - metros, autocarros, cafés, conversas, dentes brancos sorridentes, caras cinzentas e fechadas, correrias, atrasos.
10 mil éguas.
Mais tempo, mais gente, mais corrida. Gente que se encontra e se cumprimenta, gente que se desencontra e que não tenta, gente que tenta, desatenta.
15 mil éguas.
Um mundo que gira cheio de gente gira que suspira, que atira ao calhas, tu que falhas ou não falhas, tu que sentes, que te mentes, que desatinas, atas e desatas, tu que estás sem estar.
20 mil éguas.
Afinal, o que te falta?
Súfocas, súbmerges, súbmarinas?
5 mil éguas.
Há uma hora certa que a rua fervilha de gentes aos encontrões em outras gentes - metros, autocarros, cafés, conversas, dentes brancos sorridentes, caras cinzentas e fechadas, correrias, atrasos.
10 mil éguas.
Mais tempo, mais gente, mais corrida. Gente que se encontra e se cumprimenta, gente que se desencontra e que não tenta, gente que tenta, desatenta.
15 mil éguas.
Um mundo que gira cheio de gente gira que suspira, que atira ao calhas, tu que falhas ou não falhas, tu que sentes, que te mentes, que desatinas, atas e desatas, tu que estás sem estar.
20 mil éguas.
Afinal, o que te falta?
Súfocas, súbmerges, súbmarinas?
terça-feira, dezembro 12, 2006
A verdadeira (e trágica) História da CaroCinha e do João Ratão
Era uma vez uma Carochinha de longos cabelos loiros, fruto das madeixas em voga apesar de contrastantes com as sobrancelhas pretas, e compridas unhas arranjadas, daquelas com desenhos de flores e até um "piercing" no indicador da mão esquerda. Andava na casa dos vintes a nossa Carochinha, de revista cor-de-rosa debaixo do braço a caminho da Universidade Religiosa lá do sítio, reconhecida internacionalmente pelo seu prestígio em educação e nacionalmente pelas meninas do género CaroCinha Quintaleco que por lá debutavam.
Ora a nossa CaroCinha, menina polida e bem encabelada pela ajuda das extensões de cabelo natural, não tinha muitas preocupações na sua vida. Quer dizer, até tinha algumas arrelias que tomavam porporções pérfidas na sua artificialmente dourada cabecinha mas, em termos de vida, a coisa até estava bem planeada. Tinha nascido para o sucesso a CaroCinha. Os pais, senhores educados e cultos, haviam-se esmerado por uma educação cheia de princípios e méritos. E mérito não faltava à CaroCinha, tinha até dois - um belo par de méritos - se me faço entender. Esse par de méritos sempre a havia levado pela vida como que flutuando num balão de ar quente (ou quiçá dois!) tranquilamente esvoaçando por cima de dores de cabeça comuns. Assim, estava a nossa CaroCinha prestes a terminar o curso com uma média invejável. E o futuro, que a Deus pertencia, avizinhava-se trazedor de inúmeras e felizes peripécias, todas cor-de-rosa e com cheiro a Grannel Nº5.
Uma dúvida assolava no entanto a cintilante cabeça de CaroCinha: quem iria ser o seu iate do amor, fonte de inesgotável carinhos com a forma de diamantes, parceiro na saúde e na doença tratada nos melhores hospitais, o seu fiel acompanhante contra todas as vicissitudes da vida que por vezes assumem formas verdadeiramente atrozes de porteiros ignorantes que ocasionalmente a barravam à porta das únicas discotecas onde valia a pena entrar? Porque amante-amante ela até já tinha mas o motorista só servia mesmo para as quecas e vamos ser realistas, "amor e uma cabana nem à canzana".
Logo, haveria que arranjar esbelto princípe que a ajudasse com o futuro. Resumidamente, apareceu o otário do Johnny Rater que até era endinheirado apesar de esbelto princípe não ter mais nada e o motorista não se aguentou com os ciúmes. Felizmente já se tinha assinado tudo o que é papelada de comunhão de bens e afins.
Mais uma vez, Taparuere em serviço público de trazer a verdade dos factos a quem deles quer saber!
Ora a nossa CaroCinha, menina polida e bem encabelada pela ajuda das extensões de cabelo natural, não tinha muitas preocupações na sua vida. Quer dizer, até tinha algumas arrelias que tomavam porporções pérfidas na sua artificialmente dourada cabecinha mas, em termos de vida, a coisa até estava bem planeada. Tinha nascido para o sucesso a CaroCinha. Os pais, senhores educados e cultos, haviam-se esmerado por uma educação cheia de princípios e méritos. E mérito não faltava à CaroCinha, tinha até dois - um belo par de méritos - se me faço entender. Esse par de méritos sempre a havia levado pela vida como que flutuando num balão de ar quente (ou quiçá dois!) tranquilamente esvoaçando por cima de dores de cabeça comuns. Assim, estava a nossa CaroCinha prestes a terminar o curso com uma média invejável. E o futuro, que a Deus pertencia, avizinhava-se trazedor de inúmeras e felizes peripécias, todas cor-de-rosa e com cheiro a Grannel Nº5.
Uma dúvida assolava no entanto a cintilante cabeça de CaroCinha: quem iria ser o seu iate do amor, fonte de inesgotável carinhos com a forma de diamantes, parceiro na saúde e na doença tratada nos melhores hospitais, o seu fiel acompanhante contra todas as vicissitudes da vida que por vezes assumem formas verdadeiramente atrozes de porteiros ignorantes que ocasionalmente a barravam à porta das únicas discotecas onde valia a pena entrar? Porque amante-amante ela até já tinha mas o motorista só servia mesmo para as quecas e vamos ser realistas, "amor e uma cabana nem à canzana".
Logo, haveria que arranjar esbelto princípe que a ajudasse com o futuro. Resumidamente, apareceu o otário do Johnny Rater que até era endinheirado apesar de esbelto princípe não ter mais nada e o motorista não se aguentou com os ciúmes. Felizmente já se tinha assinado tudo o que é papelada de comunhão de bens e afins.
Mais uma vez, Taparuere em serviço público de trazer a verdade dos factos a quem deles quer saber!
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Recuperações (Agosto 2005)
Divagações.
Olhava em frente, fixa num qualquer ponto indeterminado. Cliché, não, não é isto que quero. Mas é mais facil assim, esperem só um bocadinho.
(respiro fundo)
A cabeça inclinada sobre um guardanapo de papel onde escrevia fervorosamente. (Fervorosamente... existe? É assim? Palavra feia). A imperial à sua frente ia morrendo, lentamente. A caneta seguia o seu caminho, determinada (gosto!) num papel demasiado fininho para o fervor. Fininho e pequeno, acabou-se. Dobrou-o em quatro depois de ter posto a tampa na caneta e meteu-o no bolso. Agarrou a imperial mas não lhe sentiu o fresco e olhou longamente em volta. A esplanada cheia, entardeceres de verão. (Está a melhorar, mas agora estou a fugir do assunto que me interessa. argh.)
As pessoas em seu redor, estava demasiado longe das suas gentes para ter ali alguém conhecido. E no entanto os rostos não lhe eram estranhos, as vestes, os estilos. Os gestos. As pessoas, na procura da unicidade individual (sim, gosto de redundâncias) será que nos damos conta de que somos mesmo todos iguais? Quer dizer, uma esplanada num entardecer de verão tem rostos parecidos em vestes iguais com gestos repetidos. (Ok, não era por aqui que eu queria ir, não era nada disto que eu queria dizer. Ainda se dá a volta, esperem lá).
De facto as pessoas agarram-se às convicções que criam e mais nada. O papel ficou guardado, duas frases que ressoam: "Em matéria religiosa, não acredita quem quer, acredita quem pode"; "Cria uma reputação confortável e mantém-te nela".
Há coisas que fazem tanto sentido que de repente não fazem sentido nenhum. São daquelas coisas que se acredita mas de que se duvida. Por vontade de duvidar, por necessidade de acreditar.
Pede a conta e paga, a mala ao ombro e a chave do carro na mão. É hora de mudar de poiso, mudar de esplanada. Para outra qualquer igual a esta.
(Não era bem isto não... paciência!)
Olhava em frente, fixa num qualquer ponto indeterminado. Cliché, não, não é isto que quero. Mas é mais facil assim, esperem só um bocadinho.
(respiro fundo)
A cabeça inclinada sobre um guardanapo de papel onde escrevia fervorosamente. (Fervorosamente... existe? É assim? Palavra feia). A imperial à sua frente ia morrendo, lentamente. A caneta seguia o seu caminho, determinada (gosto!) num papel demasiado fininho para o fervor. Fininho e pequeno, acabou-se. Dobrou-o em quatro depois de ter posto a tampa na caneta e meteu-o no bolso. Agarrou a imperial mas não lhe sentiu o fresco e olhou longamente em volta. A esplanada cheia, entardeceres de verão. (Está a melhorar, mas agora estou a fugir do assunto que me interessa. argh.)
As pessoas em seu redor, estava demasiado longe das suas gentes para ter ali alguém conhecido. E no entanto os rostos não lhe eram estranhos, as vestes, os estilos. Os gestos. As pessoas, na procura da unicidade individual (sim, gosto de redundâncias) será que nos damos conta de que somos mesmo todos iguais? Quer dizer, uma esplanada num entardecer de verão tem rostos parecidos em vestes iguais com gestos repetidos. (Ok, não era por aqui que eu queria ir, não era nada disto que eu queria dizer. Ainda se dá a volta, esperem lá).
De facto as pessoas agarram-se às convicções que criam e mais nada. O papel ficou guardado, duas frases que ressoam: "Em matéria religiosa, não acredita quem quer, acredita quem pode"; "Cria uma reputação confortável e mantém-te nela".
Há coisas que fazem tanto sentido que de repente não fazem sentido nenhum. São daquelas coisas que se acredita mas de que se duvida. Por vontade de duvidar, por necessidade de acreditar.
Pede a conta e paga, a mala ao ombro e a chave do carro na mão. É hora de mudar de poiso, mudar de esplanada. Para outra qualquer igual a esta.
(Não era bem isto não... paciência!)
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Os Dias e as Noites (ou as noites nos dias)
Já foi muita coisa sim, menos do que a que há-de vir mas que não sabemos o que é.
Pelo meio muda-se, transforma-se, evolui-se. Em todo o lado, por todos os lados agora, somos postos em cheque. Enconstam-nos à parede, procuram ver de que fibra somos, procuramos responder da forma que achamos e descobrimos que afinal não era bem aquilo.
Um bocadinho de medo, um bocadinho de angústia, um bocadinho de excitação, completamente perdidos à procura de um refúgio ou de uma pausa - mas a corrida ainda agora está a começar.
Por todo o lado procuramos defesas: porque está dificil para todos, porque nunca houve nenhuma geração que tivesse que superar tanto e provar tanta coisa ao mesmo tempo, porque poderia estar pior, olha este e aquele e o outro... E é verdade, é tudo verdade, mas justificar não chega para podermos cruzar os braços e ficar a olhar.
Por outra via, também nunca houve tanta hipótese de escolha e tanta consciência do que somos, do que queremos ser e dos porquês...
E a corrida ainda agora começou. Vamos lá minha gente, que nos enconstem facas à garganta e nos questionem a fibra, que nos provem mil vezes que estamos errados e que (ainda) não somos aquilo que queremos. É para isso que estamos aqui, é por isso que vamos crescer mais e ser melhores do que todos os outros.
(Para toda a minha gente da UCP e o resto da minha gente out-UCP mas com o diploma nas mãos e a olhar para ele com ar interrogativo)
Pelo meio muda-se, transforma-se, evolui-se. Em todo o lado, por todos os lados agora, somos postos em cheque. Enconstam-nos à parede, procuram ver de que fibra somos, procuramos responder da forma que achamos e descobrimos que afinal não era bem aquilo.
Um bocadinho de medo, um bocadinho de angústia, um bocadinho de excitação, completamente perdidos à procura de um refúgio ou de uma pausa - mas a corrida ainda agora está a começar.
Por todo o lado procuramos defesas: porque está dificil para todos, porque nunca houve nenhuma geração que tivesse que superar tanto e provar tanta coisa ao mesmo tempo, porque poderia estar pior, olha este e aquele e o outro... E é verdade, é tudo verdade, mas justificar não chega para podermos cruzar os braços e ficar a olhar.
Por outra via, também nunca houve tanta hipótese de escolha e tanta consciência do que somos, do que queremos ser e dos porquês...
E a corrida ainda agora começou. Vamos lá minha gente, que nos enconstem facas à garganta e nos questionem a fibra, que nos provem mil vezes que estamos errados e que (ainda) não somos aquilo que queremos. É para isso que estamos aqui, é por isso que vamos crescer mais e ser melhores do que todos os outros.
(Para toda a minha gente da UCP e o resto da minha gente out-UCP mas com o diploma nas mãos e a olhar para ele com ar interrogativo)
segunda-feira, dezembro 04, 2006
segunda-feira, novembro 13, 2006
Banana.
Quando eu era pequena a minha mãe obrigava-me a comer bananas. Eu não gostava, nunca gostei e ainda não gosto. Não tenho especial apetite pelo sabor em si, odeio a consistência, dou-me mal a descascá-las, e não curto nada do caroço. Em suma, bananas não são o meu fruto, pensava eu, conhecedora da minha natureza e índole.
Agora estou a trabalhar no sítio que voces sabem, a fazer o que voces sabem e com as condições que voces ouviram falar. Quero pois, como voces também sabem, bazar. Não estou a crescer profissionalmente nem como pessoa, estou a ganhar uma miséria que ainda é paga fora de horas (e se for).
Comunico ao patrão que ah e tal coiso eu tchau. E o homem ah e tal coiso, pera aí.
E eu? Eu péro. Diz ele "ah e tal que sem ti nada e isto coiso e tens que tal." E eu, ah e tal, ok. Pronto.
Perguntas: Significa isto que ele me vai dar valor? Não. Que me vai apreciar? Não. Que vai reconhecer o sentido de responsabilidade? Não. Que vai ficar a dizer ou a achar bem do meu trabalho? Não. Que me vai aumentar? Não. Que me vai pagar a tempo e horas o que me deve? Não.
Se alguma das respostas acima fosse sim, isso era importante para a minha vida ou para o meu futuro? Não.
Então porque fico???
Porque sou BANANA.
Agora estou a trabalhar no sítio que voces sabem, a fazer o que voces sabem e com as condições que voces ouviram falar. Quero pois, como voces também sabem, bazar. Não estou a crescer profissionalmente nem como pessoa, estou a ganhar uma miséria que ainda é paga fora de horas (e se for).
Comunico ao patrão que ah e tal coiso eu tchau. E o homem ah e tal coiso, pera aí.
E eu? Eu péro. Diz ele "ah e tal que sem ti nada e isto coiso e tens que tal." E eu, ah e tal, ok. Pronto.
Perguntas: Significa isto que ele me vai dar valor? Não. Que me vai apreciar? Não. Que vai reconhecer o sentido de responsabilidade? Não. Que vai ficar a dizer ou a achar bem do meu trabalho? Não. Que me vai aumentar? Não. Que me vai pagar a tempo e horas o que me deve? Não.
Se alguma das respostas acima fosse sim, isso era importante para a minha vida ou para o meu futuro? Não.
Então porque fico???
Porque sou BANANA.
Banana.
Quando eu era pequena a minha mãe obrigava-me a comer bananas. Eu não gostava, nunca gostei e ainda não gosto. Não tenho especial apetite pelo sabor em si, odeio a consistência, dou-me mal a descascá-las, e não curto nada do caroço. Em suma, bananas não são o meu fruto, pensava eu, conhecedora da minha natureza e índole.
Agora estou a trabalhar no sítio que voces sabem, a fazer o que voces sabem e com as condições que voces ouviram falar. Quero pois, como voces também sabem, bazar. Não estou a crescer profissionalmente nem como pessoa, estou a ganhar uma miséria que ainda é paga fora de horas (e se for).
Comunico ao patrão que ah e tal coiso eu tchau. E o homem ah e tal coiso, pera aí.
E eu? Eu péro. Diz ele "ah e tal que sem ti nada e isto coiso e tens que tal." E eu, ah e tal, ok. Pronto.
Perguntas: Significa isto que ele me vai dar valor? Não. Que me vai apreciar? Não. Que vai reconhecer o sentido de responsabilidade? Não. Que vai ficar a dizer ou a achar bem do meu trabalho? Não. Que me vai aumentar? Não. Que me vai pagar a tempo e horas o que me deve? Não.
Se alguma das respostas acima fosse sim, isso era importante para a minha vida ou para o meu futuro? Não.
Então porque fico???
Porque sou BANANA.
Agora estou a trabalhar no sítio que voces sabem, a fazer o que voces sabem e com as condições que voces ouviram falar. Quero pois, como voces também sabem, bazar. Não estou a crescer profissionalmente nem como pessoa, estou a ganhar uma miséria que ainda é paga fora de horas (e se for).
Comunico ao patrão que ah e tal coiso eu tchau. E o homem ah e tal coiso, pera aí.
E eu? Eu péro. Diz ele "ah e tal que sem ti nada e isto coiso e tens que tal." E eu, ah e tal, ok. Pronto.
Perguntas: Significa isto que ele me vai dar valor? Não. Que me vai apreciar? Não. Que vai reconhecer o sentido de responsabilidade? Não. Que vai ficar a dizer ou a achar bem do meu trabalho? Não. Que me vai aumentar? Não. Que me vai pagar a tempo e horas o que me deve? Não.
Se alguma das respostas acima fosse sim, isso era importante para a minha vida ou para o meu futuro? Não.
Então porque fico???
Porque sou BANANA.
quinta-feira, novembro 02, 2006
Carta Aberta aos meus Pais
Querida Mãe e Querido Pai:
Hoje páro para pensar na minha vida e no meu futuro. Vou fazer 3 meses nesta nova empresa, depois de 5 meses na antiga e apenas com um intervalo de uma semana. Desde o ano passado que não tenho férias a sério.
O meu começo de vida profissional tem sido agraciado com uma série de descobertas que primam pela sua versatilidade e diferenças. Contudo, esta é a altura de assumir perante ao mundo algo de que comecei a desconfiar relativamente cedo mas que agora não pode ser mais calado: Estou farta de brincar aos adultos. Já não quero ser grande, não quero brincar mais.
Assim sendo, venho por esta via fazer uma proposta aos meus bem-amados progenitores: quero um ano sabático para viajar e escrever.
Um ano entre cá e um qualquer lá, em constante mudança, um ano de passeio e conhecimento do mundo. No entretanto vou escrever um livro que, decerto, será um best-seller mundial. Para tal basta-me escrever um capítulo descritivo acerca das cidades e países com maiores hábitos de leituras: toda a gente vai querer ler um livro mundial onde fale do seu bairro ou do bairro do seu amigo/conhecido. O resto da história não interessa nada.
Se ao fim deste ano sabático não houver escrito nada que se assemelhe a um best-seller mundial, se não conseguir ganhar o prémio nobel da literatura logo no mês seguinte, então queridos pais, vou tirar veterinária. Voltar ao sonho de criança na redescoberta da minha verdadeira vocação.
Entre e durante estes dois projectos, estava a pensar numa renda mensal que desse para pagar as viagens e as saídas à noite e compras de roupa e ainda as entradas de eventos culturais que me servissem de inspiração (tal como a entrada do MOMA em NY ou mesmo a entrada do LUX em LX).
Se por acaso eu não conseguir entrar ou tirar veterinária, então queridos pais, quero partilhas. Não precisam de ser completas pois que sou só uma e viria tudo para mim e o pobre pai ficaria meu empregado. Não, isso não quero, desconfio que tinha que despediro o papá e isso iria custar-me um bocadinho.
Fazemos so partilhas em parte, vende-se um dos montes e da-se-me o dinheiro. Que tal?
Mas isso seria só em última análise, no dark side of a failed life. Por agora é só o ano sabático para me dedicar à escrita, pode ser?
Hoje páro para pensar na minha vida e no meu futuro. Vou fazer 3 meses nesta nova empresa, depois de 5 meses na antiga e apenas com um intervalo de uma semana. Desde o ano passado que não tenho férias a sério.
O meu começo de vida profissional tem sido agraciado com uma série de descobertas que primam pela sua versatilidade e diferenças. Contudo, esta é a altura de assumir perante ao mundo algo de que comecei a desconfiar relativamente cedo mas que agora não pode ser mais calado: Estou farta de brincar aos adultos. Já não quero ser grande, não quero brincar mais.
Assim sendo, venho por esta via fazer uma proposta aos meus bem-amados progenitores: quero um ano sabático para viajar e escrever.
Um ano entre cá e um qualquer lá, em constante mudança, um ano de passeio e conhecimento do mundo. No entretanto vou escrever um livro que, decerto, será um best-seller mundial. Para tal basta-me escrever um capítulo descritivo acerca das cidades e países com maiores hábitos de leituras: toda a gente vai querer ler um livro mundial onde fale do seu bairro ou do bairro do seu amigo/conhecido. O resto da história não interessa nada.
Se ao fim deste ano sabático não houver escrito nada que se assemelhe a um best-seller mundial, se não conseguir ganhar o prémio nobel da literatura logo no mês seguinte, então queridos pais, vou tirar veterinária. Voltar ao sonho de criança na redescoberta da minha verdadeira vocação.
Entre e durante estes dois projectos, estava a pensar numa renda mensal que desse para pagar as viagens e as saídas à noite e compras de roupa e ainda as entradas de eventos culturais que me servissem de inspiração (tal como a entrada do MOMA em NY ou mesmo a entrada do LUX em LX).
Se por acaso eu não conseguir entrar ou tirar veterinária, então queridos pais, quero partilhas. Não precisam de ser completas pois que sou só uma e viria tudo para mim e o pobre pai ficaria meu empregado. Não, isso não quero, desconfio que tinha que despediro o papá e isso iria custar-me um bocadinho.
Fazemos so partilhas em parte, vende-se um dos montes e da-se-me o dinheiro. Que tal?
Mas isso seria só em última análise, no dark side of a failed life. Por agora é só o ano sabático para me dedicar à escrita, pode ser?
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