Ah e tal, o mundo cor-de-rosa da Disney, a vida devia ser um conto de fadas como os filmes da Disney...
E suspiram, ansiando por um filme cor-de-rosa da Disney. E nem se apercebem!...
Ah, e gostava de ser uma princesa!... como, por exemplo, a Branca de Neve! Dizem. E nem se apercebem, que a Branca de Neve era uma ameaça sexual para a sua madrasta, que por isso a matou e portanto foi salva por um principe com base na sua única mais valia - uma carinha laroca. E provavelmente ser boazona. Tipo... ele nem falou com ela! Há mais evidente vontade de comer alguém do que nem falar com ela???
E a Cinderella? òptima capacidade de trabalho, completamente explorada pela sua entidade patronal (a madrasta e as irmãs) e no final acaba com um principe que... uhm.. err... a quer comer. Tipo, ya, dançaram uma beca, a seguir ela baza e ele fica com tanta tanta tesão que tem que a encontrar para... a comer. Mais uma vez, era boazona. Podia ter ambição profissional, já que era eficiente. Podia ter delineado todo um programa político e de gestão para o reino, ter-he falado nele, captado o interesse dele quer pela sua cultura geral, quer pela sua visão estratégica. Mas não, ele queria-a comer.
Ah, mas podemos falar na pequena sereia... aí todas as questões são outras. Ela muda a sua aparência fisica e tudo aquilo que é para agradar um homem. Em troca perde a capacidade de falar, e então? Assim como assim, ela não tem nada de jeito para dizer mesmo! Nem precisa porque... o principe só a quer.... comer.
Não quero ser ressabiada, nem femininista, nem nada esquisito... mas... hey! A Disney anda-nos a ensinar que basta um homem querer comer-nos!!
Já fomos, já deixamos de ser, talvez estejamos de volta. Poderá ser o regresso do mito. O mito que nunca o foi.
quinta-feira, fevereiro 25, 2010
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
...
Ela tem hábitos péssimos. Deixa a roupa espalhada pelo chão, todas as manhãs. E todas as noites tira as meias quando já está deitada e empurra-as para o fim da cama, perto da fronteira onde o colchão acaba. Quando se mudam os lençóis à cama, é comum encontrarem-se duas ou três meias perdidas e desemparelhadas.
E estes nem sequer são os seus piores hábitos.
Conheço-a bem, tão bem quanto se pode conhecer alguém. Conheço as suas manias, e tantas que tem! Tem, por exemplo, a mania que há-de conseguir sempre o que quer. Nem sempre consegue, mas por ter essa mania é mais insistente e às vezes até resulta. Quando resulta, diz de sorriso posto que consegue sempre o que quer, mas é mania dela, para o conseguir às vezes. Tenho ideia de que ela tem consciência disto, mas não tenho a certeza.
É assim que ela vai construíndo as suas verdades. Outro exemplo, é quando ela se obriga a querer coisas que não sabe se quer de facto. Mete só na cabeça que as quer, para se obrigar a querê-las e depois para tentar consegui-las. Mais uma vez, não tenho a certeza que ela saiba disso, mas às vezes desconfio que sim.
Não são raras as vezes que carrega nos ombros toda a tristeza do mundo. E isto é que eu não sei porquê. Sei que às vezes trás a tristeza mais triste de todas. Disfarça-a, claro.
Sente-se muitas vezes perdida e é aí que se obriga a querer coisas. É bastante sozinha mas, ao mesmo tempo que procura outros, tenta guardar a sua solidão só para si. Às vezes tento meter conversa com ela, mas nem sempre lhe consigo chegar a sério. Ela não deixa.
E estes nem sequer são os seus piores hábitos.
Conheço-a bem, tão bem quanto se pode conhecer alguém. Conheço as suas manias, e tantas que tem! Tem, por exemplo, a mania que há-de conseguir sempre o que quer. Nem sempre consegue, mas por ter essa mania é mais insistente e às vezes até resulta. Quando resulta, diz de sorriso posto que consegue sempre o que quer, mas é mania dela, para o conseguir às vezes. Tenho ideia de que ela tem consciência disto, mas não tenho a certeza.
É assim que ela vai construíndo as suas verdades. Outro exemplo, é quando ela se obriga a querer coisas que não sabe se quer de facto. Mete só na cabeça que as quer, para se obrigar a querê-las e depois para tentar consegui-las. Mais uma vez, não tenho a certeza que ela saiba disso, mas às vezes desconfio que sim.
Não são raras as vezes que carrega nos ombros toda a tristeza do mundo. E isto é que eu não sei porquê. Sei que às vezes trás a tristeza mais triste de todas. Disfarça-a, claro.
Sente-se muitas vezes perdida e é aí que se obriga a querer coisas. É bastante sozinha mas, ao mesmo tempo que procura outros, tenta guardar a sua solidão só para si. Às vezes tento meter conversa com ela, mas nem sempre lhe consigo chegar a sério. Ela não deixa.
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
terça-feira, fevereiro 02, 2010
Da vida deles IV
- O teu problema é que exiges demasiado de ti. Não podes ser tão exigente contigo mesmo, às vezes só seguir o primeiro impulso, não pensar demais... sabe bem!...
- Pois sabe, mas a vida não é só feita do que sabe bem e do que não dá muito trabalho... a vida implica tomada de decisões e, se seguires o teu primeiro impulso ou não pensares o suficiente sobre elas, como podes segui-las até ao fim? E se não forem para ser seguidas até ao fim, se não acreditares nelas porque foste tu quem as decidiu, então de que servem? E, no final, quem és tu e que vida vives? Sabes o que dizem... Don't waste your life. No one chooses mediocracy, but many settle for it.
(Unkonwn)
(Arigato Dri)
Da vida deles - III
À entrada do infantário e um aglomerado de crianças impacientes e expectantes, desconcentradas e gritantes, brincalhonas, esquecendo-se por momentos o que as trouxera ali. Ann sentia-se por vezes desfalecer, todos os dias o mesmo esforço de cuidar, atentar, encaminhar, educar... e no dia seguinte parece que se esvaia num grande nada do esquecimento. Tantas vezes parecia que não valia a pena... se calhar podia simplesmente mudar de vida, para qualquer outra coisa mais fácil... Mas sabia que, no final de algum tempo, o seu trabalho ali era importante e podia mudar vidas. Só que no dia-a-dia não parecia que sim!...
Foi quando Ann estava entretida nestes pensamentos que James chegou. Era sua tarefa encaminhá-lo ao infantário e portanto foi ter com ele. Ele vinha sorridente e bem disposto. Ann perguntou-lhe:
- Afinal, como consegue James? Como aparece todos os dias, em todos os infantários, com o mesmo sorriso paciente?
James Whitcomb Riley (poeta infantil)
Da vida deles - II
- Não sei Calvin, mas ver-te passar tantas horas aí sentado, insistindo e insistindo nos mesmos pontos, nas mesmas situações, parecendo que não chegas a lado nenhum, não te desilude? - perguntou Grace ao marido, vendo-o de novo, pacientemente, preenchendo relatórios e fazendo contas, para chegar às mesmas soluções que ele já conhecia de cor, já sabia de salteado.
Calvin Coolidge, 30º presidente dos EUA
Da vida deles: I
Vicent escolhe o ângulo adequado. Pincela daqui, pincela dali... Não tem pressa nem impaciência. Está a pintar girassóis, com que decorará as paredes da sua casa amarela. Theo, o seu irmão mais novo, acha que girassóis são motivos menores e que Vincent se devia dedicar a temas mais ambiciosos, fazer mais coisas, agir mais por impulso, procurar mais emoções, querer mais grandeza!
Vicent sorri e diz-lhe:
"Great things are not done by impulse, but by a series of small things brought together."
Vincent van Gogh
Vicent sorri e diz-lhe:
"Great things are not done by impulse, but by a series of small things brought together."
Vincent van Gogh
quinta-feira, janeiro 28, 2010
Falar é fácil. O difícil é mostrar.
E nem devia ser, porque era só uma questão de pensar nas coisas e ser coerente. Mas devo ser eu que exijo demais, pedir alguém para mostrar aquilo que diz. Mas era só fazer sentir aquilo que se diz... e voltamos a dois posts abaixo deste.
Não vejo maneira de sair desta cepa torta.
Pelo meio entre fazer um e não fazer o segundo, só se gastam as palavras. E depois só fica o que o Géninho* tão bem diz que fica.
*Géninho para os amigos, Eugénio de Andrade para os outros.
E nem devia ser, porque era só uma questão de pensar nas coisas e ser coerente. Mas devo ser eu que exijo demais, pedir alguém para mostrar aquilo que diz. Mas era só fazer sentir aquilo que se diz... e voltamos a dois posts abaixo deste.
Não vejo maneira de sair desta cepa torta.
Pelo meio entre fazer um e não fazer o segundo, só se gastam as palavras. E depois só fica o que o Géninho* tão bem diz que fica.
*Géninho para os amigos, Eugénio de Andrade para os outros.
terça-feira, janeiro 26, 2010
Geração sobrevivente
Efectivamente, a minha geração que ainda está pelos vintes/trintas, já sobreviveu conscientemente ao vírus do ano 2000 que ia paralisar o mundo;
à gripe das aves que afectou principalmente todos os patos que habitavam os lagos em jardins planeados das cidades grandes;
à doença das vacas loucas;
à doença das ovelhas com língua azul;
aos ataques terroristas,
à gripe suína.
Agora avisam que em 2012 o mundo vai acabar, derivado de uma crença celta ou maia, não sei.
Por mim, venha daí 2012. Oh pa mim a tremer. Not.
à gripe das aves que afectou principalmente todos os patos que habitavam os lagos em jardins planeados das cidades grandes;
à doença das vacas loucas;
à doença das ovelhas com língua azul;
aos ataques terroristas,
à gripe suína.
Agora avisam que em 2012 o mundo vai acabar, derivado de uma crença celta ou maia, não sei.
Por mim, venha daí 2012. Oh pa mim a tremer. Not.
segunda-feira, janeiro 25, 2010
Note to self (and to put in the shelf)
As pessoas gostam umas das outras não apenas pelo que as outras são mas também pelo como que as outras fazem sentir o que as umas são.
Faz sentido?
Mais claro seria um "gosto de ti e daquilo que sou quando estou contigo" / "gosto de ti e do que me fazes sentir que sou".
Faz sentido?
Mais claro seria um "gosto de ti e daquilo que sou quando estou contigo" / "gosto de ti e do que me fazes sentir que sou".
terça-feira, janeiro 19, 2010
tábua de crenças, 2003

Acredito nos recomeços por opção ou por obrigação sem que para isso tenha que largar tudo o que foi ou o que fui.
Acredito na legitimidade e na credibilidade como forma de relativizar o relativo ainda que estes dois conceitos não sejam nem tornem nada absoluto.
Acredito que as boas pessoas podem fazer coisas más sem isso as tornar más pessoas. Desconfio que as más pessoas podem fazer coisas boas mas não sei se isso faz delas boas pessoas. Suspeito que não existem boas ou más pessoas.
Acredito no silêncio da minha casa, na voz do vento e nas gargalhadas de toda a gente.
Acredito na poesia do olhar de quem não conheço e na poesia do olhar de quem gosto.
Acredito nos sorrisos das pessoas que se cruzam comigo na rua.
Acredito que hoje não sou a mesma de amanhã, espero amanhã não me arrepender de quem sou hoje.
Acredito que há pessoas de olhar triste que conseguem sorrir de coisas pequenas.
Acredito que há dias maus e dias bons e que não são eles que fazem de uma vida melhor ou pior.
Acredito na lealdade. Acredito na sinceridade e na omissão.
Acredito que os carros que vem da direita tem prioridade, mas também que há condutores simpáticos que nos deixam passar à frente quando vimos da esquerda.
Acredito que aquilo em que acreditamos faz de nós aquilo que somos e que é uma ajuda lembrar disso quando nós próprios nos sentimos perdidos.
(Tentei refazer este exercício há uns dias e não consegui nem escrever uma linha, pelo que fui buscar o anterior. Isto data de 2003. É a primeira vez que ponho no blog um texto de um caderno meu. Há coisas daqui em que já não acredito. Outras que sim, outras que quero voltar a acreditar. Até a minha letra está diferente. Talvez amanhã consiga retomar a partir daqui uma nova tábua de crenças.)
note to self
escrever um "Manual da contrução de História Encantada para si mesmo e outra pessoa".
com dedicatória à I.M.
com dedicatória à I.M.
segunda-feira, janeiro 18, 2010
domingo, janeiro 17, 2010
1 post, 2 frases.
uma das coisas que me continua a ser inacreditáveis quando saio à noite - e bem sei a estupidez que isto é - são os cheiros. Os cheiros de todos os perfumes de gaja e gajo que nunca tinha cheirado antes; os cheiros de todos os perfumes de gaja e gajo que já cheirei em gajos e gajas diferentes e que me pergunto o que é que uns e outros tem a ver com outros enquanto faço a invevitável associação improvável; os cheiros de xixi na rua em sítios tão pouco adequados; cheiro estranho de um taxi desconhecido que me leva a casa.
sábado, janeiro 16, 2010
...
Teseu ficou para a história como herói.
Aos contemporâneos, terão chegado os nomes daqueles que falharam e, na tentativa de matar o minotauro, lhes morreram às garras de leão, olhos nos olhos bovinos.
Dois ou três incautos dos quais nunca ninguém a existência soube, terão descoberto que o maior dos dissabores não era a morte por perda na batalha - o maior dos falhanços foi daqueles que dando voltas ao labirinto nunca conseguiram encontrar a besta.
sexta-feira, janeiro 15, 2010
"YOU ARE WELCOME TO ELSINORE"
Não me sai da cabeça o poema do título, hoje.
E o dia começa chuvoso, deste lado do tejo não há margem sul à vista, embrulhada em cinzento, lisboa é uma ilha sem margens, como todos os homens são ilhas, a tentarem criar pontes que às vezes barricam outra vez. Às vezes as barricadas tem peso a mais e fica uma ponte a menos.
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte
violar-nos
tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
"As pessoas doiem-se, sabias? Não é por mal nem por bem, não é por orgulhos nem teimosias nem maus entendidos. As pessoas às vezes magoam-se tanto, umas às outras, umas com as outras, umas nas outras... e mesmo assim guardam-se carinho, e é por isso que se dóiem."
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas
portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
"Mas há formas de encurtar distâncias entre duas almas sabias? Tocarem-se mesmo não podem - nem são físicas! - mas pode-se encurtar as distâncias. É com sussurros, a distância entre uns lábios que sussurram e um ouvido que se ajeita para escutar é a distância mais curta entre duas almas."
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
"Não.. quando as pessoas se dóiem... é mais fundo do que isso. Olhas nos olhos de quem te dói e só te magoa. Por ti, por essa pessoa, pelo espaço que se criou e que não vai fechar. Pela injustiça de esse espaço existir, sequer. O espaço não existe, o espaço é a inexistência de algo, é a inexistência de.... de...."
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mão e as paredes de Elsinore
"As pessoas passam a vida a tentar tocar as almas umas das outras, e a tentar que os outros toquem as suas. É por isso que trocam abraços, e um abraço mais apertado é para tentar pôr as almas mais perto, apertam-se mesmo, trocam contactos físicos para mostrar que querem proximidade, estão na verdade a tentar chegar a algo que não se chega."
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita
"Ultimamente têm-me doído muita gente."
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
"Mas os sussurros são melhores para encurtar a distância entre duas almas."
(um sorriso doído) "Mas os sussurros também são feitos de palavras..."
E o dia começa chuvoso, deste lado do tejo não há margem sul à vista, embrulhada em cinzento, lisboa é uma ilha sem margens, como todos os homens são ilhas, a tentarem criar pontes que às vezes barricam outra vez. Às vezes as barricadas tem peso a mais e fica uma ponte a menos.
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte
violar-nos
tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
"As pessoas doiem-se, sabias? Não é por mal nem por bem, não é por orgulhos nem teimosias nem maus entendidos. As pessoas às vezes magoam-se tanto, umas às outras, umas com as outras, umas nas outras... e mesmo assim guardam-se carinho, e é por isso que se dóiem."
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas
portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
"Mas há formas de encurtar distâncias entre duas almas sabias? Tocarem-se mesmo não podem - nem são físicas! - mas pode-se encurtar as distâncias. É com sussurros, a distância entre uns lábios que sussurram e um ouvido que se ajeita para escutar é a distância mais curta entre duas almas."
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
"Não.. quando as pessoas se dóiem... é mais fundo do que isso. Olhas nos olhos de quem te dói e só te magoa. Por ti, por essa pessoa, pelo espaço que se criou e que não vai fechar. Pela injustiça de esse espaço existir, sequer. O espaço não existe, o espaço é a inexistência de algo, é a inexistência de.... de...."
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mão e as paredes de Elsinore
"As pessoas passam a vida a tentar tocar as almas umas das outras, e a tentar que os outros toquem as suas. É por isso que trocam abraços, e um abraço mais apertado é para tentar pôr as almas mais perto, apertam-se mesmo, trocam contactos físicos para mostrar que querem proximidade, estão na verdade a tentar chegar a algo que não se chega."
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita
"Ultimamente têm-me doído muita gente."
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
"Mas os sussurros são melhores para encurtar a distância entre duas almas."
(um sorriso doído) "Mas os sussurros também são feitos de palavras..."
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