domingo, julho 02, 2006

fases da vida ou faces da vida?

O título não tem muito a ver mas estou algo desconexa hoje.

A ver se faço passar o meu ponto que até é algo pertinente, parece-me.

By the way, este vai ser um post sério e portanto, provavelmente, algo secante:

Quando somos novos aceitamos o mundo sem perguntar. Estamos só a ver o funcionamento das coisas e pronto. Vou-me cingir a um assunto em concreto para me ser mais facil expôr o raciocínio:

Miúdos pequenos papam literalmente todos os dibujos animados da televisão. Eu papava-os, especialmente em espanhol porque eram mais giros, porque começavam mais cedo e acabavam mais tarde, enfim.

Sabemos como a televisão funciona, mudar os canais, os que mais gostamos, etc. Mas é só divertimento e passar o tempo, tudo ok.

Depois crescemos um bocadinho e, ocasionalmente vemos alguns pugramas mais sérios. Nesta fase se "disseram na televisão" é quase como a grande verdade. Sinceramente nesta parte questionava-me sobre Deus, se Ele existia e se era assim tão importante, como é que nunca tinha dado na televisão? Enfim, só para nos situarmos em termos de importância.

Depois continuei crescendo, alegre e feliz, e de algum modo (com a ajuda do curso, claro) comecei a ficar desconfiada da tv. Veio a fase da manipulação de informação, de que se aquilo ali estava era para nos enganar e ajudar a criarmos uma imagem distorcida da realidade em prol dos interesses de algum manda-chuva poderoso.

Depois passámos ainda para uma nova fase, a de que a manipulação é parte intrinseca do meio audiovisual a que nos estamos a referir, que é a forma de se comunicar em tv. E que a tv e publicidade sao formas de se fazer dinheiro, sao negocios como outros. Pé atrás mas digamos, um pé atrás mais compreensivo. Portanto, vejo tv por divertimento, sem lhe dar demasiado crédito nem importância, sem estar à sua frente demasiado reaccionária ou contestatária.

Depois de uma atitude passiva, atitude anti-conspiração mundial, vem a atitude de aceitaçao de inevitabilidade de alguns funcionamentos de algumas coisas.

Isto é válido para inúmeras outras situações, até para relações humanas. Há uma altura na nossa vida em que não temos qualquer opinião política, outra em que seguimos a opinião política de alguém, outra em que defendemos e gritamos e brandamos ao mundo a nossa porque temos esse direito e defender a ideologia acima de tudo, bla bla. E finalmente uma atitude em que falamos quando achamos que devemos falar e em que calamos quando achamos que não vale a pena esgotar assim a nossa energia.

Relações humanas, vá, amizade: mais ou menos a mesma coisa. Primeiro somos amigos de quem nos está mais perto, filhos de amigos de pais, pessoal da escola, etc. Depois passamos por uma fase em que só somos amigos de quem escolhemos ser. Agora vem uma fase em que se atura muita gente mas só alguns é que valem a pena. Se os outros sabem disso ou não é indiferente.

Mesmo as atitudes com os amigos, primeiro aceitação total da forma de ser dos outros gaiatinhos lá do infantário, depois críticas e "constatações" de dedo erguido e alta consciência dos nossos deveres e direitos numa amizade. Agora... é relativo. Cada caso é um caso e para cada qual sua atitude ou ausência dela.

Até poderia parecer ao observador desatento que é um regresso à primeira instância mas não se enganem que disso só poderá ter aparência. A atitude sentida é muito diferente, em parte tb devido à segurança que cada um sente deste caminho.

O que acho mais "graça" é falar com gente qse da minha idade, ou mm da minha idade mas que ainda n começou a trabalhar (que me parece q tem influência) e dar-me conta das diferenças de atitude de faixa para faixa, de pessoas próximas para pessoas próximas até.

Perfeitamente legítimo e necessário, perfeitamente legítimo e necessário.

Em gesto de conclusão, só tenho uma coisa adulta e matura a dizer:
"Porque é que há um ecoponto na rua do Manel e na minha não?"
Enviar um comentário
Ocorreu um erro neste dispositivo