quarta-feira, janeiro 31, 2007

Caminha pela praia ao entardecer.

O sol punha-se, por cima do mar. Sentia a fina areia por baixo dos seus pés descalços, as ondas rugiam serenamente. Sempre lhe tinha sentido este efeito de calma, o mar. O cheiro, o sabor, o rugido. Em breve se acenderiam estrelas no firmamento e sentiria de novo quem era de verdade, de onde vinha, para onde ia.

Já se ia levantando uma brisa mais fresca. Então, tropeçou e ficou esparramada no chão.

(assim não dá pa se ter sentimento poético-filosóficos!)

terça-feira, janeiro 30, 2007

sábado, janeiro 20, 2007

O salteador da arca frigorifica

Quase meia-noite: hora de acção. Um vulto prepara-se com extremoso cuidado. Os sapatos de borracha, inaudíveis. A gabardine preta, camuflagem nocturna. O gorro preto que segura e afasta a franja dos olhos, nada poderá falhar. A lanterna é segurada por uma mão não tão firme quanto o que seria de desejar mas é só uma questão de controlo.

Começa a saga, respira-se fundo, a hora urge, o tempo é agora. Passa a porta, quase que nem respira. Desce as escadas, estudou-as tempo suficiente para saber de cor quais os degraus que rangem. A mão nem toca no corrimão, nem é preciso. Já no hall não hesita, sente as faces afogueadas e a excitação de quem está prestes a alcançar o objectivo. Entra na cozinha, o percurso decorado. O frigorífico espera-o, impávido e branco, altivo e cru. Abre a porta, estalito característico das diferentes pressões, acende-se a luz de dentro. Suspende o tempo, suspende a respiração, será que alguém ouviu? Parece-lhe que não, agarra o iogurte líquido, já nada poderá falhar agora...

- ANTÓNIO!! O que tás a fazer na cozinha a esta hora?
- Vim comer um iogurte.
- Mas porque não mo pediste filho? Eu comprei-os para ti!
- Oh mãe... porque eu gosto de viver no perigo!

segunda-feira, janeiro 15, 2007

"Desempregada" procura Férias

Despedi-me. Tou desempregada. Ou melhor, decidi tirar férias.

A minha agenda:
2ª feira - Almoçar com a Ana que faz anos. Ir para casa. Esperar que sejam horas de jantar. Arranjar-me. Ir jantar com a Ana que faz anos.

3ª Feira - Almoçar com alguém a definir. Ir ajudar o Homem da Faina a escolher um smoking. Gozar com ele. Jantar com alguém.

4ª Feira - Comprar sugos. Não como sugos há imenso tempo. Oferecer um sugo a alguém.

5ª Feira - A definir melhor. Para já o plano é fazer qualquer coisa com alguém.

6ª Feira - Fazer qualquer coisa de (in)útil.

Sábado e Domingo - Gozar o fim-de-semana e descansar da semana atribulada.

2ª Feira - Ir a Idanha-a-Nova passar o dia para ajudar uma amiga a tratar de uns assuntos lá.

3ª Feira - Ir para Elvas.

4ª Feira - Estar em Elvas.

5ª Feira - Fartar-me de Elvas e desta vida de pária.

6ª Feira - Começar a bater com a cabeça nas paredes.

Sábado e Domingo - Gozar o fim de semana em Elvas, descansar e repôr forças.

2ª Feira - Começar a tentar arranjar uma vida.

sábado, janeiro 13, 2007

À procura do ser

Sentava-se perto da janela, olhando para a vida que passava lá fora e perdendo a loção do tempo. Há muito que tinha descartado questões e dúvidas, assuntos que estavam na sua mente mortos e emperrados. Contudo ressurgiam agora com nova força, tal como no filme da bela e da esfera, sentia-se perante uma encruzilhada. Sabia de cor as frases comuns - que depois da tempestade vem sempre a poupança, que quem espera sempre fica com dores no rabo de estar sentado, etc. Contava-se a si propria a história da gata borracheira ansiando o seu final feliz e o que está por detrás dele. Sentia-se com uma paciência de fanta mas, acima de tudo, não queria ser apanhada com a boca na botina. E esperava mas com um sorriso nos lábios, sorriso de quem sabe ter ainda uma carta na tanga. No fundo sabia-se livre e desentupida, sabia-se capaz e com vontade de gritar ao mundo para não aceitarem limitações suas porque só ela era a verdadeira.

Ainda assim precisava de alguma coisa a que se agarrar, alguma coisa que fosse o ar que ela transpirava. Não havia nada agora, nenhuma enorme desilusão, que a pudesse deixar em estado de shopping. Estado de shopping, quando uma pessoa tem uma enorme recepção, um esgoto proundo... não, isso não era para ela agora. Sentia-se uma cobra prima ou mesmo uma mula inspiradora, uma verdadeira Monga Lisa ou uma Vénus Mamilo.

No entanto sabia que os 3 formavam um rectângulo amoroso e era mais do que hora de solucionarem o insolucionável. Afinal, umbigos umbigos, negócios àparte. Não havia nada a temer, afinal quem não deve não treme. "O momento é este" pensava. Mas não saiu do pé da janela e ele passou - tal qual o filme, "E tudo com o vento abalou".

sexta-feira, janeiro 12, 2007

conversas

Mas vais ou ficas?

Vou.. Mas sabes como é, o bom filho à casa entorna.

E depois?

Depois ainda não sei, alguns planos, algumas hipóteses...

Tu vê lá isso que mais vale um pássaro na mão do que dois a cagar-te no cucuruto.

Sim, sem dúvida. Mas já pensaste na sorte que temos? Afinal, as vacas não têm asas.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

... E que o valor das promessas não reside na garantia de serem cumpridas mas simplesmente na manifestação de quem as faz sentir realmente o que diz e ter essa intenção...
Ocorreu um erro neste dispositivo