segunda-feira, maio 24, 2010

nostalgias de um tempo que passa

Há 10 anos atrás vim viver para Lisboa.
Quando fui ao supermercado pela primeira vez sozinha e com dinheiro "meu", fui verdadeiramente feliz. Já não tinha que pedir à minha mãe para me comprar este ou aquele chocolate, ou para levar duas latas de coca-cola, e arriscar-me a ouvir profundos "não, tu precisas é de te alimentar bem". Com tanta prateleira apelativa e todo o dinheiro do mundo disponível (entenda-se 300 euros por ser princípio do mês) dei efectivamente largas aos ímpetos que me assolaram. Comprei portanto uma lata de chantilí e vários frasquinhos de efeites de bolos coloridos e coca-cola. Fui para casa felicíssima, com um saco as 4 ou 5 coisas atrás enumeradas e passei a tarde no sofá a pôr directamente na boca o chantilí, as drageias coloridas e a beber coca-cola.

Hoje fui ao supermercado e tudo o que trouxe poderia ser comprado pela minha mãe. Pão em fatias, que tive a separar, para congelar, presunto, salada, fruta e sei lá que mais.

Suponho que o tempo passa e as pessoas crescem mesmo. Quando estava no sofá lambuzada de chantilí e drageias coloridas não previ que um dia ia ser tão racional e adulta assim, para só comprar coisas "normais".

Se calhar amanhã quando for ao supermercado, acho que vou deixar a menina da caixa intrigada com o sortido escolhido.

quarta-feira, maio 19, 2010

De todos os sonhos possíveis e impossíveis, quantos são os gritos que calam, que calas, quando a noite se põe e te sentes confortável numa ausência de luz que te segreda que tudo poderia ser isto?
Procuras respostas e escondes perguntas, deixando-te encontrar certezas que não existem, permitindo-te encontrar abrigos que caem nas primeiras chuvadas da estação.
Sabendo de todas as indefinições, chamas nomes às coisas e obriga-las a tornarem-se naquilo porque as chamas. Infrutífero, sabe-lo tão bem quanto o que acreditas nas suas impossíveis possibilidades.
Quanto mais será preciso para deixar o teu corpo arder nas chamas pelas que chamas e foges? O que mais será preciso para encontrares uma eufórica paz que te consuma na alegre destruição daquilo que anseias por não seres?

Todos os dias, todas as memórias, confusas. Diferem apenas no sonho do dia que nunca tiveste coragem para concretizar.

segunda-feira, maio 10, 2010

Da vida deles V

- Mas como assim? Uma equipa de quê? - perguntou Jefferson a John, com curiosidade mais do que espanto.
- Então Jefferson, para termos mais impacto, temos que nos organizar de maneira a cobrir todas as frentes, a estarmos preparados e a poder prever o imprevisivel. Desta forma conseguimos uma vantagem aos outros candidatos que não vão estar tão bem preparados. - respondeu John, com os olhos a brilhar com o entusiasmo de quem sabe que teve uma ideia que só pode resultar.
- Então achas que isso vai assegurar mais sucesso?
- Acho Jefferson. Acho que a maioria das pessoas não planeia fracassar, fracassa por não planear. (John L. Beckley)


John L. Beckley 1757-1807
Com o crédito de ter sido o primeiro gestor de campanha política, com parâmetros semelhantes aos modernos, para Thomas Jefferson.

segunda-feira, maio 03, 2010

Lições de humildade ou coisas que aprendi ultimamente e que não quero esquecer:

1º Analisamos todos os comportamentos das pessoas segundo o que achamos que fariamos em igual circunstância. E, no entanto, sabemos que não podemos querer que todas as pessoas sejam iguais a nós. Temos, obrigatoriamente, que aceitar as pessoas como elas são, mesmo quando nos fazem coisas que achamos que jamais lhes fariamos. A única coisa que nos cabe, que podemos fazer é, sabendo o que elas fizeram nessa situação (e que provavelmente voltarão a fazer em idênticas circunstâncias) é decidir "quem" queremos ser para elas.

2º Não se controlam nem manipulam sentimentos, nem os nossos nem alheios. Se não somos donos dos nossos sentimentos (e talvez sejam eles que são donos de nós) como podemos achar injusto que alguém não sinta por nós o que sentimos por essa pessoa? Ou como achamos que podemos "prender" alguém para toda a vida? Tudo o que podemos fazer é tentar alinhar as nossas acções com os sentimentos que queremos que alguém tenha por nós e esperar que resulte, e depois que resulte por um bocadinho, e depois esperar que dure mais um bocadinho e depois outro...
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