segunda-feira, maio 02, 2011

Dona Gertrudes

Dona Gertrudes gerava amiúdes zangas e discussões, daquelas de fazer nascer relâmpagos e trovões. Trabalhava de facto e de fato mas achava-se no direito de opinar sobre a fraca capacidade de trabalhar dos colegas que ás vezes se deixavam ficar de olhar perdido do lado de lá das janelas. Vestia preto ou cinzento, não sossegava nem por momentos, falava alto e barafustava e a toda a gente irritava.

Trazia várias pulseiras que tilintavam nos seus gestos pouco modestos, a voz era confiante e segura, escondia na sua eficiência alguma parte de amargura.

Foi das maiores festas da empresa, aquela da sua reforma, com todos a festejarem o facto de se ir embora.
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