segunda-feira, junho 06, 2011

Fábulas urbanas improváveis

Hoje nasceu-me uma flor no braço.

Não sei de que semente, não sei que tipo de flor irá tornar-se.

Não me causou muito espanto, ao vê-la percebi que tem vindo a ser ajardinada há já algum tempo, eu é que não me apercebi.

O botão é quadrado e as pétalas que lhe apareceram são pequenas e triangulares. Ainda sem cor definida. Creio que irão ficar maiores.

As raízes são fortes, mas não estão à vista.

As pessoas olharam-me com estranheza. Não estão habituadas a que nasçam flores nos braços das outras pessoas. Eu já sabia que as pessoas podiam ser terra, não tinha antevisto a possibilidade de serem férteis para flores. Nem que eu pudesse ser terra.

Amanhã rego-a, para que fique viçosa. Se me nasceu uma flor no braço, por algum motivo será. Talvez me avise que o Outono possa chegar antes de tempo e fique Inverno no Verão, ou talvez faça do meu braço uma Primavera cheia de borboletas.

Temo no entanto a possibilidade que ganhe espinhos. Suspeito que me rasgariam a pele o que poderia ser incómodo, se me doesse. Se não doer, quem sabe, será só mais uma forma para que nasçam outras flores no mesmo corpo.

Se eu própria vier a ganhar raízes, espero não perder a mobilidade. Mas sempre gostei de sentir o vento nos ramos e nas pétalas... ai, nos braços e cabelo.
Enviar um comentário
Ocorreu um erro neste dispositivo