terça-feira, maio 09, 2006

Urgências no mundo profissional

Os escritórios estavam maioritariamente silenciosos. Um toque de telefone, uma voz suave de secretária. O ritmico bater de teclados, passos atarefados que se cruzam em corredores brilhantes e encerados e se perdem ao longe no tinir do elevador.

De súbito sente-se a dor urgente que reclama atenção. Os passos são curtos mas apressados tentando imiscuir-se daquele apressar profissional que ecoa em todo o edificio. O olhar furtivo para os dois lados, "será que alguém me vai ver entrar para a casa-de-banho?"

O alívio sufocante, os sons que se tentam dissimular. Lá fora há os mesmos passos, os mesmos telefones que tocam. Talvez o mundo continue a girar igual lá fora. O escoamento! Finalmente! O cheiro habitual sobe e envolve, a cara é de um alívio sem precedentes. A água fria produz um choque, a cara continua relaxada. A porta. O trinco. Põe-se a máscara empedrada que reflecte um misto de pressa e preocupação, encarreira-se nos passos apressados e decididos e para trás fica o cheiro como testemunho do alívio de quem cagou e bem!

Agora, só uma dúvida substancial se faz sentir... "Quem será a proxima pessoa do escritório a entrar na casa-de-banho? E saberá que fui eu que lá estive antes?"
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