segunda-feira, novembro 29, 2010

A suspensão da vertigem. Como se num qualquer lugar ficassem guardadas as palavras por dizer, lado a lado com os sonhos por concretizar.Seria o sotão de um casarão imenso - as janelas do andar de cima fechadas e as escadas testemunhas.

"Quem consegue subir mais degraus? Quem consegue tocar na porta-que-nunca-se-abre-e-tem-um-monstro-e-espíritos-e-ainda-uma-bruxa-do-outro-lado?"

A porta quase tocada, última barreira entre o mundo e uma outra coisa habitada por seres que nunca ninguém viu mas que se ouvem nas noites em que cada estrela é uma pergunta a morar na mesma cabeça.

Quase toca, e foge.

Do lado de dentro a luz só entra pela fresta debaixo da porta, do lado de dentro há "ses" e "talvezes" e "deveria" que vêem as partículas de pó levantadas pelos passos apressados, pelos passos medricas mais corajosos.

Os fantasmas guardados, como se só existissem para brincadeiras de crianças antes de serem chamadas para o lanche, pelo menos até ao próximo anoitecer.
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