segunda-feira, junho 18, 2012

acende mais um cigarro enquanto a lua se passeia no céu. de um lado para o outro, acompanhada de fumo viciado que não vê. soma mais uma noite às outras em que existiu de olhos abertos, a pensar na inexistência inviável. soma mais uma canção àquelas que quando tocam fazem doer a pele.
acende mais um cigarro e vê as ruas vazias, marcadas pela vida do dia, esquecidas na morte da noite. daqui a pouco há que recomeçar, mas não se lembra o quê ou como se faz.
houve uma altura em que ainda assim, estes eram momentos de alívio, mas agora somam-se as preocupações - e amanhã como acordo, com que cara acordo, eu que já não sei que cara tenho, que cara visto, como abro olhos olhos, como escrevo os pontos finais a meio dos textos, como digo sim com os sins entalados na garganta.

nos entretantos desenha formas fluídas com o fumo do cigarro. fluidez do fumo a contrariar o peso dos ombros, dos braços, dos dedos que seguram um vicio que ha muito lhe deixa a cabeça pesada, o corpo pesado.

"devia ser outra hora aqui" e vê um carro perdido que passa, perdido nas suas próprias histórias, desconhecendo a existência do seu cigarro, deixando-a na inexistência que procurava e que tampouco lhe traz alivio.



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