segunda-feira, junho 02, 2014

4:00 da manhã, a água na cara entre lavar e afogar, um reflexo distante no espelho e tu a procura do teu próprio olhar, como foi que chegaste até aqui, as mãos na bancada e é raiva a sair-te pela boca, pelos olhos, pelo nariz, pelos ouvidos, as mãos na bancada e os dedos a tentar cravar pedra, preciso sair da minha cabeça e o nariz franzido mesmo antes de um respirar fundo em tons de cinzento e preto. Podia desistir, podia mandar isto tudo para o caralho, podia fazer uma mala pequena e recomeçar noutro sítio qualquer. Sem nome, sem cara, sem defeitos, quanto tempo se consegue manter um anonimato, quanto pesa largar o que nos sustenta, de que são feitas as raízes que não queremos? Como se sossegam as inquietudes nocturnas, a que sabe o céu onde não chegas, quanto te sufoca a escuridão? Novo suspiro, são fases, são faces que nem sabias que tinhas e a cama nem fria nem quente, nem aconchega nem desespera, nem tecto nem chão nem janela nem porta, não há posição, não há saída.
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