quinta-feira, novembro 20, 2014

dizias que era impossível viver no país de deus,
que se podia sim atravessar o gramado de deus em bicicleta e eu fiquei com a ideia de risos misturados com grasnares de aves coloridas,
fiquei com a ideia de que o vento tinha um sabor adocicado,
fiquei com a ideia de que eras sombra feita de sal e que o cercado estava muito mais perto e que o gramado de deus devia ser muito mais extenso e que as bicicletas deviam ser mais lentas e nunca, nunca, te cheguei a dizer adeus.

dizias que havia um sítio onde estava sempre sol, que era só atravessar as nuvens - olha la, sempre sol - e que não seria nunca preciso mais nada alem de saber isto. passaram-se anos até te dizer que tens razão - tens razão - e os meus pais ainda dormem lá atrás, e aqui embaixo há um muçulmano que se prepara para as orações da manhã, daquele lado uma argentina chega a casa embrigada, meias rasgadas, o nascer de uma aurora, e algures ali há um chinês sozinho que aperta melhor a gravata ao espelho e respira fundo outra vez, que se prepara para causar boa impressão, de mãos nos bolsos não vá alguém notar que lhe tremem.

não sei se é o mundo que não chega,
se é o mundo que nos sobra,
nem tampouco sei das cores da tua camisa, das emoções dos teus olhos,
havia um sorriso - acho que havia um sorriso - dentro do lado do aceno. tu dizias adeus, em tom alegre e eu deixei-me só ficar surpreendida por um fim que não antevi e pela leveza do teu aceno. não sei que histórias contam as pedras do outros lugares, não sei que chão pisam as pessoas cujos medos e ansiedades não conheço, nunca te cheguei a dizer adeus mas aprendi a andar de bicicleta devagarinho e com as mãos nos bolsos.




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