domingo, dezembro 04, 2005

A Saga dos Senhorinhos de Verde

Não, os “Senhorinhos de Verde” não são alienígenas, para quem estiver a pensar que podem ser. Nopes. Os “Senhorinhos de Verde” são piores que alienígenas. Eles não nos raptam para fazer experiências sexuais mas raptam a nossa identificação para a escreverem em papéis patrocinados pela marca de pílulas “Yasmin” que é quase a mesma coisa.
Não, eles não falam uma língua estranha com ziiiinns e zaaaas e afins, falam português fluente e normal mas normalmente preferem não falar. Preferem apenas fazer-se acompanhar de um irritante, aborrecido e já alarmista barulho de tilintar de chaves. Pois é… e depois é ver as reacções, ouve-se um tilintar de chaves no bar da UCP e vê-se toda a inocente e ingénua criatura académica com olhares alarmados em volta e baixando sorrateiramente os cigarros. Em surdina há uma frase que vagueia abafada pelo fumo de nicotina: “Ele está aí? Está a olhar para aqui?” Um não dissimulado, um apenas acenar negativo de cabeça tem como efeito uma passa no cigarro. Fumo que se liberta às escondidas, tão às escondidas como o fumo o permite.

Ah, os seguranças da católica… pensar em seguranças é pensar em homens fortes e viris, de cassetete (ou como raios se escreve isto) e pistola à cinta, prestes a saltar em nossa defesa em toda e qualquer ocasião. Mas ver seguranças é ver uns tristes homenzinhos vestidos de verde, com uma barriga demasiado grande para caber dentro das calças e com bloquinhos de notas patrocinados pela pílula “Yasmin” e uma caneta para assentar o nome dos hediondos criminosos que estejam a fumar no bar. Somos nós, vis fumadores. Marginais, delinquentes, malfeitores e todos os outros sinónimos que não estejam na lista de sinónimos do Word e que eu agora não me lembro.

É giro ver, entra um espécime esverdeado no bar, os cigarros escondem-se debaixo das mesas, eles passeiam-se por ali com o tilintar de chaves como companhia. O fumo eleva-se, uma média de três a quatro fumadores por mesa, todos de cigarros escondidos, parece que o inferno se esconde no andar debaixo ao bar. E eles passeiam-se triunfantes, exibem-se, pavoneiam-se (estes são todos à minha pala, juro que não consultei o dicionário de sinónimos desta vez) enquanto o fumo se continua a elevar. De quando a quando escolhem uma vítima, pedem-lhe o número de aluno e anotam (já referi que num bloquinho a fazer propaganda às pílulas?) e provavelmente ameaçam com a entrega desse papel a uma qualquer entidade superior. Vão fazer o quê? Expulsar-nos da universidade porque estávamos a fumar no bar? E claro, enquanto se debruçam para anotar o número da pobre vítima eleita sabe Deus porque desígnio, 342 fumadores clandestinos aproveitam para dar mais uma passa e expeli-la como se fosse bafo quente em ar gélido.
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