terça-feira, janeiro 19, 2010

tábua de crenças, 2003


Acredito nos recomeços por opção ou por obrigação sem que para isso tenha que largar tudo o que foi ou o que fui.

Acredito na legitimidade e na credibilidade como forma de relativizar o relativo ainda que estes dois conceitos não sejam nem tornem nada absoluto.

Acredito que as boas pessoas podem fazer coisas más sem isso as tornar más pessoas. Desconfio que as más pessoas podem fazer coisas boas mas não sei se isso faz delas boas pessoas. Suspeito que não existem boas ou más pessoas.

Acredito no silêncio da minha casa, na voz do vento e nas gargalhadas de toda a gente.

Acredito na poesia do olhar de quem não conheço e na poesia do olhar de quem gosto.

Acredito nos sorrisos das pessoas que se cruzam comigo na rua.

Acredito que hoje não sou a mesma de amanhã, espero amanhã não me arrepender de quem sou hoje.

Acredito que há pessoas de olhar triste que conseguem sorrir de coisas pequenas.

Acredito que há dias maus e dias bons e que não são eles que fazem de uma vida melhor ou pior.

Acredito na lealdade. Acredito na sinceridade e na omissão.

Acredito que os carros que vem da direita tem prioridade, mas também que há condutores simpáticos que nos deixam passar à frente quando vimos da esquerda.

Acredito que aquilo em que acreditamos faz de nós aquilo que somos e que é uma ajuda lembrar disso quando nós próprios nos sentimos perdidos.


(Tentei refazer este exercício há uns dias e não consegui nem escrever uma linha, pelo que fui buscar o anterior. Isto data de 2003. É a primeira vez que ponho no blog um texto de um caderno meu. Há coisas daqui em que já não acredito. Outras que sim, outras que quero voltar a acreditar. Até a minha letra está diferente. Talvez amanhã consiga retomar a partir daqui uma nova tábua de crenças.)
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