sexta-feira, agosto 20, 2010

Agendas sem adendas

Durante anos, meses, semanas e dias fui anti-agendas, (des)organizando a minha vida ao sabor dos ventos e dos eventos, sem outras questões além do que me apetecia no momento (e totalmente independente das coisas que me esquecia no tempo). Houve inclusivé uma altura em que o fazia de tal forma sistemática e inesperada que achei por bem assumir que nunca sabia onde ia dormir em todas as noites e portanto andava sempre de saco-cama e pijama na mala do carro. E deu jeito vezes sem conta. Hoje, o saco-cama ainda lá está, o pijama já não, mas o espírito diz que ainda se mantém. As responsabilidades é que não me deixam "esquecer" de tantas coisas.

Portanto, apesar de ainda lá ter o saco-cama, tive que repensar na minha filosofia anti-agendas e render-me à evidência que preciso de uma. Bonitinha e jeitosinha, com os dias mundiais de coisas que eu não sabia que tinham direito a dias mundiais assinalados, sempre na minha mala.

Não a comprei em Janeiro, foi para aí em Março... e demorei para aí 2 meses a perceber que para apontar as coisas nas agendas, significa que elas tem que ser combinadas com antecedência. Não serve atender um telefonema "queres vir cá jantar hoje" às 20h30 e sacar da agenda para escrever. Isto significa que, se quero combinar uma coisa com alguém, tenho que pensá-la para um dia específico e não para "daqui a cadinho". Foram dois meses de treino intensivo para entrar neste novo frame mental. Quando percebi o esquema, agarrei na agenda e marquei rapidamente os meus anos em Abril. Ficou porreiro, dia 27 de Abril, "Anos". E efectivamente não me esqueci que fazia anos dia 27 de Abril.

As outras coisas que ia apontando, também não me esquecia, que as pessoas habituadas à minha falta de memória, lá mandavam sms "então, amanhã ainda se mantém?". E eu feliz, com uma agenda que não me esqueço de preencher quando assim se justifica.

Mais uns meses se passaram e metade do mundo foi-se habituando a que eu tenha agenda e planeie as semanas. O que é porreiro, porque é para isso que ela serve. Mas, como o mundo se foi habituando, as pessoas começaram a deixar de me mandar as tais sms do "então e amanhã, ainda se mantém?". E, na prática, isto trouxe-me um novo problema: é que parece que metade da ciência de uma agenda é anotar as coisas que temos para fazer, mas a outra metade é consultar a agenda para nos relembrarmos do que lá marcámos.

Espero que não demore mais dois meses até me habituar a consultar a agenda de vez em quando, ou então ainda vou faltar a muita coisa que tinha combinado...


Para começar, acho que vou marcar na agenda uma nota para consultar a agenda. Assim como assim, lembrar-me de anotar lá as coisas já consigo...
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