segunda-feira, agosto 23, 2010

guerras ao nosso redor

Diz-nos a lei de Murphy que "Mesmo o objeto mais inanimado tem movimento suficiente para ficar na sua frente e provocar uma canelada."

Sendo uma grande apreciadora deste tratado murphyano, na verdade não concordo com esta lei, pelo menos desta maneira simplista. Não é verdade que os objectos inanimados têm movimento suficiente para nos atingir de maneiras particularmente dolorosas. A verdade por detrás deste acontecimento frequente é muito mais aterrador e insuspeito.

Sei de fonte segura que há toda uma conspiração entre cadeiras, móveis, mesinhas de cabeceiras, cantos e pés das camas, etc etc etc, para aniquilarem e acabarem com todos os mindinhos do mundo. Não sei onde e quando começou esta guerra, mas sei que os estrategas e generais por trás dela são os insuspeitos tapetes.

Rasteirinhos e praticamente inexistentes naquela que é a percepção humana do espaço (especialmente de manhã ao sair da cama) são os tapetes que sempre levam os nossos mindinhos para perto dos agressivos móveis. Um pequeno "deslize" para que o imperceptível movimento se faça sentir de forma aguda e desesperante no desgraçado mindinho cuja única arma que dispõe é a da sobrevivência, para continuar a ser agredido.

Gostava realmente de saber o que despoletou esta guerra muda da qual os meus dois mindinhos dos pés são vítimas indefesas praticamente todos os dias. Qual foi o mindinho que hostilizou desta maneira um tapete que conseguiu mobilizar não apenas todos os outros tapetes como todos os móveis para a sua causa. Talvez um mindinho com uma unha demasiado comprida que tenha causado um buraco num tapete? Parece-me móbil insuficiente para a agressividade que todas as manhãs sinto. Talvez uma "tapeta" que tenha jurado amor eterno a um qualquer mindinho passageiro, ignorando para sempre o senhor tapete do outro lado da cama? Ou quiçá um mindinho gozão que tenha ofertado pelo natal a um tapete já com mau feitio os resquícios de uma pastilha elástica?

Não sei efectivamente a causa desta guerra muda e absurda da qual os meus mindinhos são vítimas todas as manhãs. Mas sei que ela existe, já me foi confessada por uma banquinha de cabeceira mais vulnerável, quando lhe apertei os cantos tal qual colarinhos e a obriguei a confessar-se. Foi o 7º ataque no mesmo dia e o mindinho roxo e choroso nada dizia. Foi ela que me confessou que a origem é tapetiana e efectivamente é sobre estes soldados que os nossos mindinhos são conduzidos ao seu cruel e agressivo destino.
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