terça-feira, junho 21, 2005

Passear com o Nogui e com a Taparuere

é motivo para se ser descomposto pelas pessoas que passam na rua, principalmente velhas rabugentas com pequenas feras à trela.

Estava eu um dia a passear com o Nogui e com a Taparuere. O Nogui teve vontade e deitou cá para fora um cocó. Tudo normal até aqui. A Taparuere agarrou num saco de plástico, deitou mão à obra e nisto… o Nogui avista outro cão a atravessar a rua, a puxar a sua velha chata pela trela.

Velha chata: Óh Senhor, Óh Senhor, olhe que o cão está aqui.

Eu olhei para a senhora e sorri com cumplicidade. O Nogui estava mais uma vez a ser simpático, a cumprimentar um cão vizinho, se bem que se estava a portar mal, estava a ir para a estrada sem autorização, o óh Senhor poderia bem ser um alerta para isso…

Insiste a velha chata, desta vez em pânico: Óh Senhor, não me ouve? Afinal o que isto? Aiiiiiii! Os cães são para andar com trela!

Enquanto a velhota dizia isto e olhava para o Nogui como se fosse um tigre pronto a atacar, estava ele com o seu ar simpático, de rabo a abanar. Há gente mesmo parva.

Enquanto pensava porque raio haveria a velha rabugenta de me chatear logo a mim, eu que não tenho nenhum cão, olhei para a minha mão direita. Lá estava a trela, o símbolo da responsabilidade. Tinha de ser eu a ouvir das boas.

Não é justo, eu tinha a trela mas era a Taparuere que levava o saco com o presente do Nogui. Será que ninguém repara que é o dono quem apanha a caca do cão?

É normal haver pessoas com medo de cães. Não é normal ter-se cão e não se saber distinguir um cão mau de um cão simpático, a não ser que só se conheça cães maus.

Enfim, eu e a Taparuere olhamos um para o outro, ela com um sorriso tímido, eu com cara de miúdo de 5 anos com quem tinham injustamente ralhado. Chamámos o Nogui e seguimos. Voltei-me para trás e deitei um olhar à Velha que continuava a resmungar, get a life, nem os teus netos gostam de ti.
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